A Toyota vai investir US$ 1,34 bilhão numa fábrica para produzir a picape Hilux eletrificada em Zárate, na Argentina, anunciou nesta quarta-feira (30) o ministro da Economia argentino, Luis Caputo. A unidade deve gerar 2.600 empregos na operação, com 70% da produção destinada à exportação.

Segundo o ministro, o projeto foi admitido no Regime de Incentivo para Grandes Investimentos (RIGI), programa do governo argentino que dá isenção de direitos de exportação, dispensa de repatriar a receita exportada, estabilidade regulatória de 30 anos e acesso a arbitragem internacional.

"É o maior investimento já anunciado pela indústria automotiva do país", disse Caputo.

A fase de construção deve gerar mais de 3.600 vagas diretas e indiretas, além das 2.600 previstas para quando a fábrica estiver operando. As exportações anuais são estimadas em US$ 1,3 bilhão, valor próximo ao do investimento inicial.

É a Argentina apostando que produzir menos para o próprio mercado e mais para fora paga a conta mais rápido.

Por que a Toyota aposta tanto na Argentina?

A aposta argentina não é nova. A fábrica de Zárate opera há 23 anos como base exportadora da Toyota: em 2020, 80% de tudo que saía da linha de montagem ia para outros 23 países da América Latina, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

O investimento chega num momento em que o PIB argentino voltou a crescer, mas o país compra menos do Brasil, segundo dado do terceiro trimestre.

No mesmo período, as fábricas da Toyota no Brasil, em Indaiatuba e Sorocaba, exportavam cerca de 20% da produção. O então presidente da Toyota do Brasil, Rafael Chang, buscava uma fatia de exportação de 30% a 40%.

Foi em Indaiatuba que a Toyota encerrou a produção do Corolla após 28 anos, em junho.

"Nosso índice de nacionalização de peças no Brasil gira em torno de 60% a 70%. Para fechar a conta precisamos exportar ao menos 30%", explicou Chang, à época.

Segundo o sindicato, o entrave era o custo de produção mais alto no Brasil, puxado pela folha salarial, somado à falta de créditos de ICMS represados em São Paulo. A Toyota chegou a acumular R$ 1,2 bilhão nesses créditos não recebidos.

O que acontece agora

A Toyota trata o projeto argentino como investimento à parte do que já mantém no Brasil. A montadora confirmou um aporte de R$ 11,5 bilhões nas fábricas de Sorocaba e Indaiatuba, hub que vem ampliando desde 2020.

Noutra frente da operação brasileira, a Toyota reabriu a fábrica de motores de Porto Feliz em setembro, um ano depois de um vendaval destruir parte da unidade.

O governo argentino ainda não detalhou o cronograma de obras da unidade de Zárate.