O Itamaraty confirmou nesta quarta-feira (30) que a embaixada brasileira em Madri ajudou a lobista Roberta Luchsinger na mudança do filho de Lula, Fábio Luís (Lulinha), para a Espanha, em julho de 2025, revelam mensagens obtidas pela PF. O ministério nega irregularidade na ajuda.
As mensagens, obtidas pela Polícia Federal no celular de Luchsinger e divulgadas pelo Metrópoles, mostram contato entre a lobista e o então embaixador, Orlando Leite Ribeiro, durante todo o primeiro semestre de 2025.
Segundo o Itamaraty, Ribeiro conheceu Luchsinger e a mulher de Lulinha, Renata Abreu Moreira, em setembro de 2024, num evento de promoção comercial na embaixada. Luchsinger pediu depois uma lista de escolas em Madri, e o setor educacional da embaixada deu apoio.
O ministério diz que ajudar brasileiros no exterior é rotina; as mensagens, porém, mostram que o apoio foi além de indicar contatos.
Em janeiro de 2025, Ribeiro escreveu estar "inteiramente às ordens" numa conversa sobre escolas para os filhos de Lulinha e de Luchsinger, e sugeriu que uma funcionária da embaixada acompanhasse as agendas.
Em junho, ele mencionou o possível uso de uma van da embaixada para acompanhar Luchsinger e Renata numa visita a uma universidade. O Itamaraty nega que um veículo da representação tenha sido usado no caso.
Procurado pelo Poder360, o advogado de Luchsinger, Marco Aurélio de Carvalho, disse não identificar irregularidade. Segundo ele, as conversas acessadas pela PF "não revelam rigorosamente nada de errado" na atuação de Ribeiro.
O advogado afirmou ainda que Luchsinger e Ribeiro mantinham apenas uma relação cordial, sem jantares ou amizade próxima. Ribeiro foi realocado da embaixada em Madri para a Tchéquia em julho de 2025.
O caso é o mais recente capítulo da investigação da PF sobre a relação entre Lulinha e a lobista. Em agosto, mensagens já haviam ligado o filho de Lula a joias e negócios com Luchsinger.
O próprio Lula negou conhecer a lobista antes de fotos virem à tona, e a PF já havia investigado se ela usava a proximidade com Lulinha para acessar o governo.
O que acontece agora
O caso segue sob investigação da Polícia Federal, que já mira pagamentos e mensagens ligando Lulinha a outros episódios de possível tráfico de influência. Não há indicação de que Ribeiro ou Luchsinger tenham sido formalmente indiciados neste episódio específico.
O Itamaraty não informou se Ribeiro responde a processo administrativo interno.






























