O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (30) que as últimas forças americanas deixaram o Iraque, encerrando a missão militar liderada pelos EUA no país. Ele elogiou o premiê recém-eleito, Ali al-Zaidi, e chamou o dia de histórico.
"Hoje, tenho o prazer de anunciar que as últimas forças americanas estão deixando o Iraque! Este é um grande dia para a América", escreveu Trump na Truth Social.
Trump atribuiu o envolvimento militar a "decisões muito ruins" e disse que o capítulo "em breve fará parte da história". Ele também elogiou al-Zaidi, dizendo que o premiê "venceu uma eleição que não se esperava" e que apoiou a candidatura desde o início.
Para marcar a diferença, Trump comparou a saída à retirada do Afeganistão em 2021, quando 13 militares americanos morreram e equipamentos foram deixados para trás. Desta vez, segundo ele, a retirada foi ordenada.
O que muda na segurança do Iraque?
Apesar da retirada, os EUA vão continuar treinamento específico e apoio de inteligência aos parceiros iraquianos. A responsabilidade por combater remanescentes do Estado Islâmico passa às Forças de Segurança do Iraque, incluindo os peshmergas curdos.
Nem todo grupo armado no país aceita esse desfecho. No mesmo dia, a Resistência Islâmica do Iraque (IRI), coalizão de milícias apoiadas pelo Irã, disse que não vai desarmar.
"As armas da Resistência permanecerão sob a guarda de nossos mujahidin e, como sempre, sua bússola continuará apontada contra qualquer inimigo que vise o Iraque e seu povo", afirmou a coalizão.
A IRI reúne entre 50 mil e 70 mil combatentes e nasceu em 2023, durante a guerra entre Israel e Hamas em Gaza, para apoiar os palestinos.
O desarmamento dessas milícias era uma das condições do acordo de 2024, firmado no governo de Joe Biden, que previa integrar os combatentes às estruturas de segurança iraquianas em troca das armas.
É a mesma retirada que levou o Irã a publicar, no mesmo dia, uma carta de 26 páginas pedindo aos eleitores americanos que votem contra aliados de Trump no Congresso.
A tensão entre Washington e Teerã já havia escalado antes: em agosto, o Irã atacou bases dos EUA na Jordânia em retaliação a um episódio no Estreito de Ormuz.
Em setembro, os EUA revidaram. Atacaram três petroleiros iranianos, movimento que chegou a ameaçar o preço da gasolina no Brasil.
O que acontece agora
A saída não resolve a disputa pelo espaço de poder que os EUA deixam para trás. De um lado, o governo iraquiano tenta cumprir o acordo de integrar as milícias à segurança oficial.
Do outro, a IRI mantém armas e tropas prontas, condicionando qualquer diálogo a garantias contra "agressão americana ou israelense".
































