Um fundo do qual Donald Trump Jr. é sócio, a 1789 Capital, financia uma fábrica de ímãs nos Estados Unidos que negocia terras raras do Projeto Caldeira, no sul de Minas Gerais. A mineradora Meteoric Resources vai fornecer 3.000 toneladas anuais a partir de 2027.
Segundo apuração da Folha de S.Paulo, a Meteoric já enviou amostras à canadense Ucore Rare Metals, que vai processar o material numa fábrica no estado americano da Louisiana. A mineradora atua em Andradas, Caldas e Poços de Caldas (MG).
Em agosto de 2025, a 1789 Capital investiu na Vulcan Elements, fabricante americana de ímãs usados em drones, satélites, equipamentos militares, semicondutores e carros elétricos. A Vulcan fechou memorando com a Ucore em março de 2026.
A fase de testes com amostras já está em andamento. Não há, até aqui, contrato definitivo de venda fechado entre as empresas.
Em junho, a Meteoric informou ao mercado australiano que sua planta piloto em Minas Gerais processou 43 toneladas de minério e produziu mais de 200 quilos de concentrado, com 71% de extração dos elementos usados em ímãs.
O projeto reúne 78 títulos minerários numa área de 19,2 mil hectares. A empresa estima 1,6 bilhão de toneladas de material a investigar ao longo de uma operação de mais de 20 anos.
A produção média prevista é de 12.500 toneladas anuais de óxidos de terras raras. O investimento total do Projeto Caldeira soma US$ 498,4 milhões, segundo estudo de viabilidade divulgado pela Meteoric e replicado pela CNN Brasil.
A previsão é de 1.200 empregos na construção e 500 postos permanentes na operação.
A mineradora também fechou memorando com a sul-coreana POSCO International, que poderá comprar até 30% do material produzido pelo Projeto Caldeira por até sete anos.
A disputa por terras raras virou peça de geopolítica entre EUA, China e Coreia do Sul, com Minas Gerais em posição central.
O que preocupa moradores da região?
Moradores de Caldas e Poços de Caldas temem o efeito da mineração na água e no solo, numa região com histórico de mineração de urânio. A preocupação cresce porque a cidade já enfrentou escassez hídrica em 2024.
Nelson Henrique Filho, do bairro Parque Esperança, questionou em audiência pública como a mineração não afetaria ainda mais a segurança hídrica local.
Daniel Tygel, presidente da Aliança pela APA Pedra Branca, chama a região de uma espécie de zona de sacrifício diante da expansão prevista dos projetos.
O presidente da Câmara Municipal de Poços de Caldas, Douglas Souza, reconheceu que os impactos ambientais precisam ser rigorosamente monitorados de perto.
O tema também virou disputa política interna: um documento revelou plano de terras raras ligado a Flávio Bolsonaro, e o acordo do setor já é cotado para motivar um novo encontro entre Lula e Trump.
O que acontece agora
A Meteoric espera obter a licença de instalação no quarto trimestre de 2026 e prevê cerca de dois anos de obras após a decisão final de investimento. A conexão à rede elétrica está programada para 2028.
O caso ocorre enquanto o Brasil tenta se posicionar na disputa global por terras raras aberta pelas restrições chinesas ao insumo, e enquanto Brasília e Washington ainda negociam o fim do tarifaço americano.





























