Candidatos com registro indeferido pelos Tribunais Regionais Eleitorais, mas com recurso pendente no TSE, receberam 1,8 milhão de votos no 1º turno de 2026, segundo a Folha de S.Paulo. Os votos ficam "anulados sub judice" e podem alterar resultados já definidos nas urnas.

O caso mais conhecido é o do Rio de Janeiro. O TSE anulou, em 8 de outubro, 274.411 votos de Anthony Garotinho (Republicanos), cujo registro havia sido indeferido por inelegibilidade.

Sem esses votos, Douglas Ruas (PL) passou a ter 50,88% dos votos válidos, maioria suficiente para vencer sem 2º turno contra Eduardo Paes (PSD).

O ministro Cristiano Zanin (STF) deu, em 16 de outubro, cinco dias para o TSE explicar a anulação, dentro de uma ação movida pelo PSD nacional pedindo a retomada do 2º turno no Rio.

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Por que existem tantos votos sub judice?

Existem tantos votos sub judice porque a Justiça Eleitoral tem prazo apertado para julgar os pedidos de registro antes da eleição. Houve mais de 20 mil pedidos de registro nestas eleições, segundo o TSE, e o prazo legal de julgamento costuma ser estendido.

A lei prevê o pedido de registro até 15 de agosto, um dia antes do início da campanha, e dá à Justiça até 20 dias antes do 1º turno para decidir, o equivalente a um mês de análise.

"O grande problema são esses candidatos com pendências judiciais. Quando é um candidato que não tem processos, é mais fácil julgar: em dez dias está julgado", disse o advogado José Paes Neto, da Abradep (Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político), à Folha.

Por que o Rio de Janeiro lidera o ranking nacional?

O Rio de Janeiro lidera o ranking nacional de votos sub judice, com 732 mil, mesmo sem contar os votos de Garotinho. A liderança vem do TRE-RJ, que ampliou o entendimento do TSE para vetar candidatos ligados a organizações criminosas.

Levantamento da revista eletrônica Conjur identificou 15 candidatos com vínculo apontado a crime organizado barrados no país, que somaram 363,3 mil votos. Onze deles são do Rio de Janeiro, com 316,6 mil votos.

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Um dos casos é o de João Drumond, cuja candidatura foi barrada pelo TRE-RJ por "indícios de inserção e articulação em rede associada à liderança do jogo do bicho", segundo a decisão do tribunal.

Nacionalmente, a maior parte dos votos sub judice foi para candidatos a deputado estadual (612 mil), à frente de senador (390 mil), deputado federal (381 mil) e governador (374 mil), cargos cujo resultado final só sai depois de o TSE julgar cada recurso.

O ministro Zanin também pediu manifestação da AGU e da PGR em cinco dias. Até a conclusão desta apuração, não havia decisão do TSE sobre o pedido do PSD para o 2º turno no Rio.