Parentes do ex-governador Leonel Brizola (1922-2004) afirmam que a candidata derrotada Isadora Brizola (PDT) não tem nenhum vínculo familiar com o líder trabalhista. Isadora usou o suposto parentesco como principal mote da campanha para deputada federal por São Paulo, derrotada no 1º turno.

Durante a campanha, Isadora se apresentou como sobrinha-neta de Brizola e chegou a publicar vídeos feitos com inteligência artificial ao lado do suposto tio-avô. Semanas antes do 1º turno, internautas passaram a questionar o parentesco, pela falta de proximidade dela com os demais Brizola.

Leonel Brizola Neto em perfil, de terno
O historiador Leonel Brizola Neto, neto do ex-governador Leonel Brizola, negou publicamente o parentesco com a candidata. Foto: Schwarzekatze1984/Wikimedia Commons

O historiador Leonel Brizola Neto, neto do ex-governador e ex-vereador no Rio de Janeiro, usou o X para negar o parentesco.

Em post de 3 de outubro, escreveu: "Atenção! Essa Isadora, candidata por São Paulo, e q se apresenta como Brizola não tem parentesco algum com a família, trata-se de uma farsa para enganar o eleitor!"

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Em entrevista ao Metrópoles, ele disse nunca ter ouvido falar de Isadora antes, e que amigos do avô também o procuraram para questionar o parentesco. Inês Brizola, outra neta do ex-governador, também disse desconhecer a candidata e chamou o uso do sobrenome de estratégia eleitoral.

Procurada pelo jornal Diário de S.Paulo, Isadora rebateu as acusações: disse que o vínculo é um relato familiar transmitido ao longo de gerações e que sempre se apresentou como parte da família. Ela não apresentou documentação que comprove o parentesco.

A suspeita só ganhou força depois que Isadora perdeu a eleição no 1º turno. O uso de vídeos com inteligência artificial é regulado pelo TSE desde a resolução publicada em agosto para esta eleição.

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A candidata não está sozinha nisso: 37 posts de outros candidatos usaram IA sem avisar o eleitor, segundo levantamento da agência Lupa.

Já a disputa da família Brizola de verdade acontece no Rio Grande do Sul, onde Juliana Brizola, neta do ex-governador, concorreu ao governo do estado.

O ponto em aberto

Não há, até agora, ação judicial entre as partes sobre o caso. Para caracterizar propaganda eleitoral enganosa seria preciso decisão da Justiça Eleitoral, que não foi acionada até a publicação desta matéria.