A Polícia Civil de Minas Gerais confirmou que o corpo encontrado em uma cova rasa na zona rural de Jaboticatubas, na Grande BH, é de Beatriz Vitória Aparecida Neves Mota, de 27 anos, desaparecida desde 9 de outubro após sair de um bar na cidade.

Dois suspeitos seguem presos: Samuel Castro Melo, de 18 anos e ex-namorado de Beatriz, e Carla Luza da Silva, de 23, atual companheira dele.

Os dois foram presos na quarta-feira (21), mesmo dia em que o corpo foi encontrado, e prestaram depoimento na Divisão Especializada de Referência à Pessoa Desaparecida, em Belo Horizonte.

Casos de violência ligados a relacionamentos conturbados têm se repetido no estado: em junho, um homem foi preso suspeito de sequestrar a ex-companheira em Contagem (MG).

O que a Polícia Civil já confirmou?

A Polícia Civil já confirmou que o corpo é de Beatriz. A perícia esteve no local da cova rasa, próximo à Estrada Reserva Real, para recolher vestígios, e a família reconheceu a jovem por uma tatuagem.

Segundo o boletim de ocorrência, Beatriz estava com amigos em um bar no bairro Bosque dos Coqueiros na noite de 9 de outubro quando um carro parou perto dela. Ela foi até a janela conversar e avisou que voltaria em minutos.

Amigos relataram à polícia que ouviram pessoas dentro do carro insistindo para que ela entrasse. O veículo foi embora, e Beatriz não voltou a ser vista pelo grupo.

À TV Globo, a irmã de Beatriz, Giovanna Neves de Castro, contou que a jovem ficou nervosa após atender uma ligação no bar.

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Ela pediu cinco minutos para ir até a rua de baixo para encontrar alguém e disse que, se não voltasse, para irem atrás dela

Beatriz chegou a voltar ao bar e disse que estava com medo porque havia uma mulher que não conhecia dentro do carro, segundo apuração da TV Globo. Em seguida, saiu de novo e não voltou.

O que dizem os suspeitos?

Carla Luza da Silva ficou em silêncio no depoimento formal. Sua advogada, Tatiane Barbosa, diz que a cliente nega os fatos e que tudo será esclarecido durante a instrução processual.

Investigadores não identificados indicaram que Carla teria confessado participação de forma informal na prisão, mas isso não tem valor jurídico sem depoimento formal. Até o momento, a defesa de Samuel não havia se manifestado.

Um adolescente de 15 anos, ouvido pela polícia, relatou ter sido levado num carro branco pelos suspeitos até o local onde eles encontraram Beatriz.

Segundo seu depoimento, os dois saíram com a jovem por cerca de 30 minutos e voltaram sozinhos e em silêncio, o que o levou a suspeitar que algo grave havia acontecido.

Ele se ofereceu para guiar as autoridades até o local, na zona rural, onde o corpo foi encontrado em uma cova rasa com as mãos amarradas com arame.

O que falta esclarecer?

Falta esclarecer a dinâmica exata do crime e o papel de cada suspeito, segundo a própria Polícia Civil. O corpo segue no IML de Belo Horizonte para exames de necropsia, e o inquérito continua sob a Divisão de Referência da Pessoa Desaparecida.

A TV Sim Brasil mostrou na quarta-feira (21) a prisão dos dois suspeitos, no mesmo dia em que o corpo foi encontrado.

Minas Gerais é o 2º estado com mais feminicídios do país, atrás só de São Paulo, no ano em que o Brasil bateu recorde histórico do indicador. Os dois suspeitos seguem presos; cabe à Justiça decidir sobre eventual responsabilização.