Um vídeo de 2022 voltou a circular nesta semana mostrando o governador eleito do Paraná, Sergio Moro (PL), afirmar que Jair Bolsonaro (PL) lhe pediu para não atrapalhar a investigação contra o filho, Flávio. O deputado Túlio Gadelha (PSD) publicou o vídeo nesta segunda (19).

A fala é de uma entrevista ao Flow Podcast, em janeiro de 2022, durante o governo Bolsonaro (2019-2022). Moro foi ministro da Justiça no período e pediu demissão pouco mais de um ano depois de assumir o cargo.

Moro ficou conhecido por presidir a Operação Lava Jato, antes de se tornar ministro de Bolsonaro e, depois, crítico do governo. Hoje governador eleito pelo Paraná, ele integra a mesma legenda de Flávio, o PL.

Sergio Moro, governador eleito do Paraná, durante sessão solene na Assembleia Legislativa do Paraná

Segundo Moro, Bolsonaro temia que investigações de corrupção "chegassem até ele" e passou a agir para enfraquecer o combate à lavagem de dinheiro. O ex-juiz citou a saída do Coaf do Ministério da Justiça como o primeiro sinal disso.

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"O presidente tem lá a investigação da família dele, a rachadinha, e tem medo de que ela chegue nele", disse Moro no Flow Podcast.

Moro contou que respondeu ao presidente entender a preocupação com o filho. Mas disse que uma decisão judicial que beneficiou Flávio paralisou outras investigações de lavagem de dinheiro no país.

Quem resgatou o vídeo e por quê?

Quem publicou o vídeo foi o deputado federal Túlio Gadelha (PSD), candidato derrotado ao Senado por Pernambuco e opositor de Flávio na disputa presidencial. A publicação ocorreu a 6 dias do 2º turno, no auge da disputa entre Flávio e Lula.

Apesar da crítica antiga a Bolsonaro, Moro segue filiado ao PL e apoia Flávio nesta eleição. Ele liderou uma carreata pelo candidato em Curitiba na semana passada, ao lado de outros governadores do Sul.

A crítica de 2022 e o apoio de 2026 mostram a mesma aliança sobrevivendo a uma acusação grave feita pelo próprio ex-ministro da Justiça.

O vídeo recupera o pano de fundo do caso rachadinha, que levou à denúncia de Flávio por organização criminosa, peculato e lavagem de dinheiro em 2020, quando ele ainda era deputado estadual no Rio. Até hoje, não há condenação de Flávio no processo.

O tema já tinha ido ao TSE. Em setembro, o tribunal suspendeu um jingle da campanha de Lula que ligava Flávio ao caso rachadinha e ao banqueiro André Vorcaro.

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O que acontece agora

O 2º turno entre Lula e Flávio acontece neste domingo (25).

Até a publicação desta reportagem, não havia posicionamento público da campanha de Flávio sobre o vídeo resgatado por Gadelha.

O caso Flávio também corre em paralelo a outros capítulos da família. Em outubro, a PGR aprovou a volta das visitas de Flávio ao pai na prisão.