A Malásia suspendeu nesta quarta-feira (21) a importação de frango de todo o Brasil, mesma medida já adotada pelo México. O motivo foi um foco da doença de Newcastle numa granja de perus em Santa Catarina. China, Chile e Arábia Saudita restringiram só produtos catarinenses.

O caso começou em 18 de outubro, quando o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou o foco numa granja com 6 mil perus, em Nova Itaberaba (SC). O México foi o primeiro a suspender a compra, em 19 de outubro.

Frangos de corte em aviário no Brasil, foto de arquivo da Agência Brasil
Frangos de corte em granja no Brasil; Santa Catarina responde por mais de 20% das exportações do país (foto de arquivo) Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo

A doença de Newcastle afeta aves domésticas e silvestres e pode causar sintomas respiratórios e neurológicos nos animais. Em humanos, a infecção é rara e costuma provocar só conjuntivite temporária, por contato direto com aves infectadas. Não há transmissão pelo consumo de carne ou ovos.

"Uma coisa é encontrar sinais do vírus nos exames; outra é ter animais doentes", afirmou Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Segundo ele, nenhuma ave apresentou sinais clínicos, e o achado veio de uma vigilância de rotina do Mapa.

Por que a reação dos países foi diferente?

A reação variou porque cada país aplica sua própria regra sanitária. Arábia Saudita, China e Chile seguiram a regionalização, que restringe só a área do foco. México e Malásia preferiram o embargo total, mais rígido.

A Arábia Saudita é hoje o terceiro maior destino do frango brasileiro (7,68% das vendas externas); a China (sexta) responde por 4,84%, e o México (sétimo) por 4,73%. Mesmo sendo uma concorrente crescente do Brasil no setor, a China preferiu restringir só Santa Catarina.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) defende que os parceiros comerciais negociem restrições regionalizadas, e não embargos nacionais. Em nota, a entidade atribui a detecção precoce à eficácia do sistema sanitário oficial.

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Santa Catarina responde por mais de 20% das exportações de carne de frango do Brasil. Em 2025, o estado embarcou 1,2 milhão de toneladas de frango e 29,5 mil toneladas de carne de peru, quase metade do total do país, segundo a CNA.

A receita anual das exportações avícolas catarinenses soma R$ 2,1 bilhões, cerca de US$ 5,7 milhões por dia, segundo a CNA. É esse fluxo diário que está em jogo nas negociações do Mapa com os países que ampliaram a restrição.

É o terceiro país a ampliar a restrição, depois de China, Chile e México já terem suspendido parte das compras. Em 2024, outro foco levou Argentina, China e México a suspender tudo, e Arábia Saudita, Chile e UE restringiram só os estados afetados.

O que acontece agora

O Mapa diz que mantém diálogo com os parceiros comerciais para avaliar a adequação das exportações e vai divulgar novidades à medida que surgirem. A pasta notificou a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), como exige o protocolo sanitário internacional.

A emergência zoossanitária declarada pelo Mapa tem 60 dias de validade, a partir de 19 de outubro, e vale para Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim.

A granja onde o foco foi identificado segue interditada, com movimentação de aves suspensa.