Fake news política só influencia o voto quando carrega algum "fundo de verdade" sobre o alvo, afirma o cientista político Alberto Carlos Almeida. A análise, feita ao programa WW, usa como exemplo o boato que atribui a Flávio Bolsonaro (PL) a Nossa Senhora Aparecida.
Para fundamentar a análise, Almeida recorreu a exemplos do passado político brasileiro. "No passado, quando o PT era radical, se dizia que se o PT vencesse iria invadir a casa das pessoas e distribuir cômodos para os mais pobres", afirmou.
Para ele, a mentira funcionava porque remetia a um traço real da imagem do partido na época: um PT percebido como socialista e radical.
O mesmo padrão explica a fake news de que o PSDB acabaria com o Bolsa Família se eleito. Segundo Almeida, o boato encontrava respaldo porque o partido "falava sempre muito mal" do programa e defendia uma "porta de saída" para os beneficiários.
Qual é o efeito da fake news sobre Nossa Senhora?
A mensagem falsa transmite ao eleitor a ideia de que Flávio Bolsonaro, ao escolher entre evangélicos e católicos, priorizaria os primeiros. "É isso que ela faz", resume Almeida, sobre o efeito do boato, verdadeiro ou não.
Apesar do potencial de viralização, o cientista político foi categórico: o impacto eleitoral de uma fake news costuma ser restrito.
"Em geral ela não muda o voto, ela consolida votos já existentes", disse Almeida. Ele pondera que pode haver alguma conversão, mas a chama de "muito pequena" diante do tamanho do eleitorado.
A leitura de Almeida mede o efeito de cada boato isolado. Heloisa Massaro, diretora de pesquisa do InternetLab, aponta um risco diferente, somado a esse.
Para ela, a inteligência artificial generativa, incorporada a ferramentas que o eleitor já usa todo dia, como busca e WhatsApp, muda a natureza do problema.
Não é mais só convencer alguém de uma mentira: é fazer o eleitor duvidar também do que é verdadeiro. "A gente vai ter vários políticos falando que vídeos que muitas vezes são verdadeiros foram gerados por IA", diz Massaro.
Levantamento do InternetLab mostra que 99,1% de quem usa aplicativo de mensagem no Brasil está no WhatsApp. Metade dos usuários já testou algum recurso de inteligência artificial do aplicativo, meses após o lançamento no país.
O TSE criou uma comissão para regular o uso de IA nas eleições, mas o boato sobre Nossa Senhora já virou munição na propaganda eleitoral de Lula contra Flávio Bolsonaro.






























