O Ministério do Comércio da China afirmou na quinta-feira (5 de novembro) que o país só vai ampliar as compras de produtos agrícolas dos Estados Unidos se as duas potências implementarem o acordo de redução recíproca de tarifas negociado em setembro, em Washington.
"A China tem se mostrado consistentemente aberta a ampliar as compras de produtos agrícolas dos EUA, mas somente sob a condição de que as duas partes implementem seu acordo de redução tarifária recíproca", disse o porta-voz do ministério, Huang Ling, em coletiva.
Segundo Huang, a China espera que os Estados Unidos colaborem para reduzir tarifas, diminuir barreiras não tarifárias e ampliar o acesso ao mercado chinês.
O pacote prevê US$ 30 bilhões em cortes recíprocos de cada lado, incluindo cerca de US$ 17 bilhões em produtos agrícolas americanos que a China importaria por ano. O plano ainda não foi finalizado.
O que muda para o produtor brasileiro
O impasse mantém o Brasil na liderança das compras chinesas de soja. O país responde por 52% do volume importado pela China em 2026, com 6,5 milhões de toneladas embarcadas, segundo dados do setor.
A Argentina vem em segundo lugar, com 26%, e os Estados Unidos aparecem em terceiro, com 12%. A tarifa da soja na China ainda favorece o Brasil mesmo com a retomada das compras americanas.
A vantagem brasileira vem de preço, não só de volume. Um consultor da Royal Rural resume: mesmo que a China compre soja dos EUA, ainda precisa da soja brasileira para fechar a demanda, de 22 a 25 milhões de toneladas por ano.
Publicidade
A consultoria HedgePoint projeta que a fatia que os EUA ganharem tende a sair do Brasil e da Argentina, não de um mercado chinês em expansão. Os três países competem pela mesma demanda.
O comércio entre Brasil e China segue em ritmo recorde em 2026. O Brasil fechou 2025 com recorde de 108,68 milhões de toneladas de soja exportadas.
A projeção para os embarques à China em 2026, porém, é de queda: 77 milhões de toneladas, ante 87 milhões projetados para 2025, pela retomada da concorrência americana.
O avanço das compras dos EUA depende de outro número que ainda não fechou. A China adquiriu apenas US$ 7,2 bilhões em produtos agrícolas americanos fora a soja entre janeiro e setembro.
O valor fica bem abaixo da meta anual de US$ 17 bilhões anunciada pela Casa Branca em maio.
As importações agrícolas chinesas dos EUA fora a soja estão no nível mais baixo para o período desde 2019, auge da primeira guerra comercial entre os dois países.
O que acontece agora
China e Estados Unidos criaram um grupo de trabalho agrícola que deve se reunir ainda este ano para tentar destravar o pacote de cortes tarifários recíprocos.
Falta definir quando começa a contar o prazo do compromisso de US$ 17 bilhões anuais em produtos não relacionados à soja — se a partir do anúncio de maio ou só quando a China efetivar os cortes de tarifa prometidos.
Enquanto isso, o Brasil segue na rota de bater recorde de vendas de soja à China.






























