A crise do Ueno Bank, maior banco digital do Paraguai, derrubou o presidente do Banco Central do país e levou Santiago Peña a anunciar a renúncia à Presidência na quinta-feira (5 de novembro). O caso reacende comparações com o escândalo do Banco Master, no Brasil.
Os dois bancos simbolizam o crescimento rápido movido por juros e cashback acima do mercado, e os dois colapsaram sob suspeita de fraude e proximidade com o poder político.
Quem são os banqueiros por trás das duas quebras
Federico Vázquez, fundador do Ueno, tem 36 anos e preside o Grupo Vázquez, conglomerado de 28 empresas. Daniel Vorcaro, do Banco Master, tem 43 e também construiu rápido uma instituição com peso econômico, sem passado em banco tradicional.
Vázquez é neto de comerciantes: o pai fundou em 1984 a Credicentro, financeira de pequenos empréstimos que deu origem ao grupo. Antes da quebra, era tratado como prodígio do mercado, eleito personagem do ano pela revista Plus em 2024.
A Forbes Paraguay o retratou como um triatleta de Ironman que leva ao banco a mentalidade do atleta de alto rendimento. Até abril, ele controlava 75,94% do Grupo Vázquez.
Vázquez está entre as oito pessoas ligadas ao Ueno presas nesta semana, segundo o Valor, junto com o presidente e dois vice-presidentes da instituição.
O rombo que derrubou o futebol paraguaio
O Ueno patrocinava a seleção paraguaia de futebol, a Conmebol e os clubes Olimpia e Cerro Porteño, os maiores rivais do país. O contrato com a federação valia US$ 12 milhões até 2026 e deu nome ao estádio Defensores del Chaco.
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Na quarta-feira (4 de novembro), um dia depois do início da resolução do banco, a federação retirou os anúncios e o estádio voltou ao nome original. O Cerro Porteño entrou em campo com o logo do Ueno coberto na camisa.
Jogadores da seleção, incluindo o zagueiro Gustavo Gómez, capitão do Palmeiras e do Paraguai, divulgaram uma carta de solidariedade aos correntistas do banco, que tem 2,9 milhões de clientes.
Nós também fomos vítimas desta situação, assim como muitas famílias paraguaias. Compartilhamos a mesma indignação, a mesma preocupação e a mesma dor que hoje afeta tantos compatriotas.
A carta também foi assinada por companheiros de seleção que jogam no Brasil, como Fabián Balbuena, do Grêmio, e Damián Bobadilla, do São Paulo. Segundo o jornal paraguaio ABC Color, dez jogadores da seleção devem entrar com ação coletiva contra o banco.
A diferença entre os dois países não está só no tamanho do rombo.
O Brasil já havia testado, com o próprio Master, uma engenharia regulatória que amortece a quebra de um banco, como mostra a comparação entre o Fundo Garantidor de Créditos e as regras paraguaias.
No Brasil, o caso Master segue na Justiça: Vorcaro recorreu à OEA contra sua prisão preventiva, enquanto no Paraguai o Congresso já iniciou um processo de impeachment contra Peña.
O ponto em aberto
Os dois casos levantam a mesma pergunta: quanto tempo um banco pode crescer batendo recordes de marketing antes de reguladores e investidores perceberem o risco?
No Paraguai, a resposta veio tarde demais para o governo. No Brasil, o rombo do Master já soma dezenas de bilhões de reais pagos pelo fundo garantidor.






























