O diretor-presidente da Ryanair, Michael O'Leary, afirmou nesta terça-feira (20) que as passagens aéreas vão ter a maior alta da história da Europa no próximo ano. Em entrevista coletiva em Bruxelas, ele citou aumentos de até 20%, puxados pela alta do combustível de aviação.
A alta é consequência direta da guerra no Irã, que disparou o preço do combustível de aviação e comprimiu as margens de companhias aéreas sem proteção contratada.
Vocês verão as passagens aéreas subirem no próximo ano na Europa, acho que em 10%, 15%, talvez 20%. Vocês verão o maior aumento das passagens aéreas, eu diria, da história da Europa nos próximos 12 meses.
O'Leary falou em entrevista coletiva em Bruxelas, nesta terça.
Quando o conflito começou, a Ryanair tinha 80% do combustível até março de 2027 coberto a US$ 67 o barril. A partir de abril, resta apenas 15% do custo protegido, a US$ 85 o barril, no dobro do preço à vista.
O'Leary estava em Bruxelas para anunciar o corte de 20 rotas e de mais de 1 milhão de assentos na Bélgica. A decisão segue o anúncio do país de elevar o imposto sobre a aviação de 2 para 7 euros a partir de janeiro.
O executivo disse ainda estar otimista quanto à certificação do Boeing 737 Max 10 nos Estados Unidos ainda em outubro, o que permitiria à Ryanair receber 16 aeronaves no início de 2027.
O que muda para quem viaja do Brasil à Europa?
A alta prevista pela Ryanair chega num momento de forte procura brasileira pela Europa. O número de brasileiros que viajaram ao continente cresceu 41% frente a 2024, bem quando o turismo brasileiro bate recordes e mira R$ 300 bilhões em 2026.
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Uma pesquisa da Skyscanner mostra que 57% dos viajantes brasileiros já trocaram de destino por causa do preço das passagens. No mesmo mês, a Anac autorizou a canadense WestJet a operar voos regulares no Brasil, ampliando a oferta internacional.
No Brasil, o mesmo aperto no custo do combustível já pesa 42% no custo das companhias aéreas.
A reforma tributária deve encarecer a passagem aérea em até 16% a partir de 2027, o que soma pressão doméstica à alta internacional.
O que acontece agora
A certificação do Boeing 737 Max 10 nos Estados Unidos deve sair ainda em outubro, liberando as primeiras entregas à Ryanair no início de 2027. Até lá, o mercado de combustível segue sem contratos de proteção para a maioria das aéreas europeias.
Quem pretende viajar à Europa em 2027 tende a pagar mais caro quanto mais tarde comprar a passagem. A Ryanair deve detalhar os novos preços nos próximos meses, conforme a safra 2027 de voos for colocada à venda.





























