As exportações da China somaram US$ 447,18 bilhões em setembro de 2026, alta de 36,3% sobre um ano antes, segundo a Alfândega do país (GACC). O resultado superou a previsão de analistas da Reuters, de 25,5%, e ampliou o superávit comercial do país.
As importações da China também aceleraram: cresceram 31% em setembro, para US$ 313,65 bilhões, acima da previsão da Reuters, de 24,5%.
Em agosto, as exportações chinesas haviam subido 25,0% e as importações, 28,2%. Segundo a agência de dados FactSet, setembro teve o ritmo mais forte desde fevereiro de 2026.
No acumulado de janeiro a setembro, a China exportou US$ 3.370,7 bilhões, alta de 21,3%, e importou US$ 2.432,58 bilhões, alta de 27,5%. O superávit do período soma US$ 938 bilhões.
O resultado veio no mês em que EUA e China reduziram tarifas sobre US$ 60 bilhões em produtos. As exportações chinesas de semicondutores somaram US$ 44,951 bilhões no mês, alta de 136%, e as de automóveis chegaram a US$ 20,75 bilhões, com alta de 62%.
"Ainda que as tensões comerciais entre Estados Unidos e China tenham diminuído, a pressão da União Europeia por reequilíbrio mira diretamente as exportações chinesas de maior valor", disse Ecaterina Bigos, do BNP Paribas Asset Management, à Associated Press.
O que muda para o Brasil?
No Brasil, o fluxo seguiu direção oposta em setembro: as exportações brasileiras à China caíram 7,6%, a US$ 7,89 bilhões, enquanto as importações chinesas pelo Brasil subiram 12,6%, a US$ 7,06 bilhões, e o superávit bilateral do mês ficou em US$ 830 milhões.
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A queda é puxada por menores volumes de soja, minério de ferro, milho e, sobretudo, carne bovina. As vendas do produto à China caíram 93,5% em setembro, depois de o Brasil esgotar a cota anual e a tarifa de entrada subir a 67%.
A China respondeu por 53% das compras de carne bovina do Brasil em 2025.
No acumulado do ano, as exportações à China somam US$ 84,64 bilhões, alta de 12%. As importações cresceram 9,9%, a US$ 58,62 bilhões. O superávit soma US$ 26,05 bilhões, mesmo com a retração recente nas vendas de soja à China.
O resultado reflete a trégua tarifária entre Trump e Xi Jinping fechada em setembro, que redesenhou parte da demanda chinesa por commodities. A disputa entre as duas maiores economias do mundo segue pesando sobre os fluxos de soja, minério e carne que saem do Brasil.
O que acontece agora
A cota anual de carne bovina do Brasil para a China só deve ser renovada no início de 2027, o que mantém a tarifa de 67% sobre o produto até lá. Do lado chinês, os próximos indicadores de comércio exterior saem em novembro.
O mercado vai acompanhar se o ritmo de setembro se confirma como tendência ou foi puxado por fatores pontuais, como a corrida por semicondutores antes de eventuais novas restrições dos Estados Unidos.





























