O analista político Rafael Favetti, da consultoria Fatto Inteligência Política, disse nesta semana que a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) representa uma ruptura com o militarismo que marcou o bolsonarismo desde 2017. A avaliação foi dada ao programa WW.

Segundo Favetti, o bolsonarismo passou a carregar forte carga de militarismo a partir de 2017 e 2018, o que contaminou parte da direita brasileira. "Durante um certo tempo, a direita brasileira se militarizou", disse o analista, citando passeatas e pedidos de volta do AI-5.

"A campanha de Flávio, pelo bem ou pelo mal, supera esse militarismo do conservadorismo e da direita brasileira", afirmou Favetti ao programa.

Nem todo especialista concorda com essa leitura. João Roberto Martins Filho, professor titular da UFSCar e estudioso das Forças Armadas, afirmou em entrevista publicada em 9 de outubro que "o bolsonarismo se fortaleceu tanto que não precisa mais dos militares".

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Para ele, isso não significa que o militarismo tenha sido superado como ideia. A mentalidade das Forças Armadas não mudou. Apenas a manifestação pública dela ficou mais contida.

Outro cientista político, Abel Lumer, avalia que o antipetismo pesa mais que o bolsonarismo.

O que a cúpula do Exército já sinalizou?

A cúpula das Forças Armadas recebeu, via emissários da campanha, sinalização de que Flávio não fará "revanchismo" contra oficiais que se aproximaram de Lula e que prefere generais longe do Planalto, segundo a CNN Brasil.

A campanha também sinalizou que Flávio quer um civil no Ministério da Defesa. O nome cotado para a pasta é Marcos Degaut, ex-secretário de Produtos de Defesa no governo Jair Bolsonaro, com passagem também pelo governo Temer.

Ele é descrito como próximo a Eduardo Bolsonaro. A indicação ainda é sinalização de bastidores, não compromisso público assumido por Flávio.

O Exército já avalia outros riscos ligados a uma eventual presidência de Flávio, como a instalação de base militar dos Estados Unidos no país.

O apoio militar à candidatura também é mais discreto que o registrado nas campanhas do pai. Militares da ativa e da reserva adotaram postura mais cautelosa, num cenário político e jurídico que ainda carrega os efeitos do 8 de janeiro.

Lula, por sua vez, busca aproximação com as Forças Armadas por entregas concretas: aviões Gripen para a Aeronáutica, renovação da frota do Exército e submarino nuclear para a Marinha.

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Favetti resume essa diferença dizendo que a relação da esquerda com o tema carrega uma ferida mais antiga. "É uma ferida que não depende tanto assim de uma frase, de um carinho", disse, sobre o tempo que a reconciliação ainda deve levar.

O que acontece agora

Não foi localizada reação pública do PT ou da campanha de Lula a essa leitura específica, num momento em que o apoio militar ao bolsonarismo ainda carrega os efeitos do golpe que fracassou em 2023.

O tema deve voltar à tona se a indicação para a Defesa avançar de boato de bastidor para anúncio formal, o que só ocorreria depois do resultado do 2º turno, em 25 de outubro.