Os shows de música se tornaram a atividade cultural presencial mais popular do Brasil. A adesão passou de 45% para 51% dos brasileiros em um ano, segundo a 7ª edição da pesquisa Hábitos Culturais, do Observatório Fundação Itaú, com apoio técnico do Datafolha.

O levantamento ouviu 2.448 pessoas de 16 a 65 anos, em 137 municípios de todas as regiões do país, entre 7 e 20 de julho deste ano.

Ao todo, 88% dos entrevistados fizeram ao menos uma atividade cultural presencial nos 12 meses anteriores à pesquisa, ante 84% em 2025.

Os números mostram um movimento parecido em outras frentes: eventos ao ar livre atraíram 63% dos entrevistados, e festas populares, típicas e folclóricas, 45%. O cinema, por comparação, foi citado por 39%, o mesmo percentual de quem visitou espaços de patrimônio histórico.

A alta nos shows aparece no mesmo ano em que ingressos do BTS esgotaram em 23 minutos em São Paulo e em que Elton John emocionou o público do Rock in Rio.

Pela primeira vez, a pesquisa também perguntou sobre pontos de cultura e espaços comunitários (38%), rodas de samba, pagode ou choro (30%) e bailes funk (9%), ampliando o retrato do que o brasileiro considera cultura no dia a dia.

O acesso à cultura segue desigual entre as classes

Apesar do crescimento geral, o acesso à cultura segue desigual: 97% das classes A e B fizeram ao menos uma atividade cultural presencial, contra 82% das classes D e E.

Publicidade

A diferença se repete em quase todas as atividades. No cinema, 63% das classes A e B foram às salas, ante 18% das D e E.

Em shows, o intervalo é menor, mas ainda relevante: 64% das classes A e B foram a um show, contra 42% das classes D e E. O show é a atividade cultural onde a diferença de classe menos pesa.

No teatro, os índices são de 41% e 17%. Nos museus, 35% e 14%. Em bibliotecas, 39% e 16%. Em eventos ao ar livre, 74% e 52%.

O que afasta o brasileiro da cultura presencial

O custo é o principal obstáculo à participação, citado por 35% dos entrevistados. O tema também está no centro da investigação do Cade contra Live Nation e Ticketmaster por práticas anticompetitivas em shows.

Em segundo lugar vem a insegurança: 30% apontam medo da violência como barreira.

Dentro desse medo, 47% temem roubo ou furto perto dos eventos, 43% citam falta de policiamento, 29% têm receio de assalto no trajeto e 27% apontam violência contra mulheres e assédio — percentual que sobe para 38% entre as mulheres entrevistadas.

Outros obstáculos citados: falta de tempo (23%), cansaço (21%), distância e lotação (19% cada) e falta de transporte (16%).

Mesmo com as barreiras, 33% dos entrevistados dizem não haver equipamentos culturais na região onde moram, e 72% afirmam que participariam de mais atividades culturais se elas ocorressem com mais frequência nas escolas de seus bairros.