Os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, fecharam em Washington uma trégua que reduz US$ 30 bilhões em tarifas e vale até 10 de janeiro de 2027. O acordo trata de terras raras e soja, com efeito no Brasil.
O encontro ocorreu entre os dias 24 e 26 de setembro. Foi a primeira visita oficial de Xi aos Estados Unidos desde 2015. As partes também abriram um canal de emergência para incidentes com IA.

Além das tarifas sobre produtos agrícolas e bens de consumo não sensíveis, os dois países fecharam pontos sobre carvão e fentanil. A China vai importar ao menos 10 milhões de toneladas de carvão americano por ano em 2027 e 2028.
Segundo o USDA (Departamento de Agricultura dos EUA), a China já comprou quase 10 milhões de toneladas de soja americana até 10 de setembro. O compromisso prevê 25 milhões de toneladas por ano até 2028, além de US$ 17 bilhões anuais em outros produtos.
O montante é uma fração do que o Brasil movimenta: o país embarcou recorde de 108,2 milhões de toneladas de soja para o exterior em 2025. As vendas do agronegócio brasileiro à China somaram US$ 55,3 bilhões no ano, 32,7% do que o setor exportou.
O acordo ameaça a soja brasileira?
A aproximação entre Washington e Pequim ainda não tirou o Brasil do posto de maior fornecedor de soja à China, mas amplia a concorrência pelo mercado chinês. Hoje, Pequim mantém tarifa retaliatória de 10% sobre a soja americana, não aplicada à soja brasileira.
A TV Sim Brasil já mostrou que o aumento das compras chinesas aos EUA reduziu a fatia da soja brasileira nas exportações de setembro.
Terras raras são oportunidade ou risco para o Brasil?
O Brasil também está no radar da disputa por terras raras, minerais essenciais para baterias e ímãs que a China domina globalmente. O país tem cerca de 21 milhões de toneladas em reservas, entre as maiores do mundo, atrás da China, que tem 44 milhões.
A China concentra 70% da mineração mundial de terras raras.
A China também domina 85% do refino e 90% da produção de ligas e ímãs. Para reduzir essa dependência, o Brasil negocia acordos de minerais críticos com Estados Unidos, União Europeia e Japão.
"O Brasil tem buscado ao longo do ano diversificar parcerias no setor de terras raras, sobretudo com a União Europeia, Austrália e Canadá", afirma Roberto Uebel, professor da ESPM.
Em vigor desde 16 de setembro, a Lei 15.506 institui a Política Nacional de Minerais Críticos, com fundo garantidor de até R$ 2 bilhões. Ficar de fora da etapa de maior valor agregado significa vender só a matéria-prima.
"Países com reservas de minerais críticos devem participar das etapas de maior valor agregado da cadeia, por meio de industrialização, transferência de tecnologia e formação de capacidades nacionais", disse o presidente Lula, na Cúpula do G7, em Évian-les-Bains.
O que acontece agora
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, o chanceler Mauro Vieira e o representante dos EUA se reúnem entre 30 de setembro e 1º de outubro. É o primeiro encontro desde a retomada das negociações sobre o tarifaço de 37,5%.
Entre os pontos em discussão está uma cláusula de "first look" nas propostas americanas, que daria aos Estados Unidos prioridade para analisar projetos brasileiros de minerais críticos antes de outros compradores. O ponto já gera desconforto dentro do próprio governo brasileiro.





























