A Justiça da Bahia condenou Josevan Dionísio dos Santos a 28 anos de prisão, em regime inicial fechado, pelo assassinato da líder quilombola Maria Bernadete Pacífico Moreira, a Mãe Bernadete. A decisão saiu nesta terça-feira (13), no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador.
Josevan é o terceiro condenado pelo crime, cometido em 17 de agosto de 2023, dentro da casa da vítima, no Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador.
O julgamento, no Tribunal do Júri, aceitou a denúncia do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do Ministério Público da Bahia (MPBA).
Segundo o órgão, o crime foi motivado pela oposição de Mãe Bernadete à presença do grupo criminoso Bonde do Maluco na região do quilombo.
Como o crime aconteceu
A denúncia descreve que Josevan entrou armado na casa de Mãe Bernadete ao lado de Arielson da Conceição Santos, mandou os netos dela se deslocarem para outro cômodo e recolheu os celulares dos familiares presentes. Os netos não sofreram ferimentos.
Em seguida, Josevan pediu que Mãe Bernadete se sentasse. Ela recusou, e ele atirou pela primeira vez. A vítima foi morta com 25 tiros.
O MPBA afirma que seu sistema de inteligência cruzou depoimentos e rastreadores dos celulares recolhidos pelos criminosos para localizar Josevan. O caso foi apurado na Operação Pacific, que investigou os executores e os envolvidos no planejamento do assassinato.
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Em abril de 2026, o mesmo Tribunal do Júri já havia condenado os outros dois réus apontados até então. Arielson da Conceição dos Santos, apontado como executor, pegou 40 anos, 5 meses e 22 dias.
Marílio dos Santos, apontado como um dos responsáveis pelo planejamento, foi condenado a 29 anos e 9 meses. Os dois também ficaram em regime inicial fechado.
Marílio dos Santos morreu dois dias depois daquele julgamento. Ao todo, seis homens são apontados como suspeitos de envolvimento no crime que matou uma das lideranças quilombolas mais conhecidas do país.
O assassinato de Mãe Bernadete virou símbolo da violência contra lideranças quilombolas e é citado por movimentos do setor como argumento para políticas de proteção a essas comunidades.
O que acontece agora
Dos cinco acusados pela morte de Mãe Bernadete, dois ainda não foram julgados. Sérgio Ferreira de Jesus tem julgamento marcado para 21 de outubro, também no Fórum Ruy Barbosa.
Já o caso de Ydney Carlos Santos de Jesus aguarda o trânsito em julgado da decisão de pronúncia e ainda não tem data definida para julgamento.





























