A diferença entre os juros reais das NTN-Bs brasileiras e das TIPS, os títulos equivalentes dos EUA, caiu a 4 pontos percentuais nesta segunda-feira (12), o menor nível desde 2024, segundo o Valor Econômico. O mercado aposta em ajuste fiscal após o 1º turno.

Segundo o Valor Econômico, os juros reais de longo prazo subiram no mundo todo nos últimos meses, mas no Brasil as taxas caíram, movidas pela aposta num ajuste fiscal depois da eleição.

Uma pesquisa da XP com 24 gestoras macro mostra que 71% das gestoras vão aumentar a aposta no Brasil. Outras 58% operam com risco acima da média dos últimos 12 meses.

O otimismo tem prazo de validade: 13 das 17 gestoras que citaram um gatilho de saída apontaram o mesmo motivo, o segundo turno, em 25 de outubro. É um horizonte de aposta mais curto do que o normal para esse tipo de fundo.

O que pode travar a aposta

A aposta otimista pode travar no dia 25 de outubro. Das gestoras que disseram à XP o que reduziria a exposição ao Brasil, 13 de 17 citaram o resultado do segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro como o principal gatilho.

Já em julho, a consultoria Arko Advice alertava que o ano eleitoral elevava os riscos econômicos do país.

Publicidade

O risco Brasil, medido pelo CDS de 5 anos, já tinha caído a 116 pontos em maio, o menor nível do 3º mandato de Lula, segundo o Poder360.

A disputa chega ao segundo turno em clima de empate técnico. Pesquisa CNT/MDA divulgada no início de outubro já mostrava Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados. É esse empate que o mercado tenta precificar.

Os juros dos Estados Unidos bateram o maior nível desde 2002, pressionando as taxas globais de longo prazo. O próximo teste chega em 25 de outubro, quando o segundo turno decide se a aposta do mercado se confirma.