O risco-país do Brasil, medido pelo CDS de 5 anos, caiu a 110 pontos na sexta-feira (9), o menor nível desde fevereiro de 2020. A queda veio depois do 1º turno das eleições, com Flávio Bolsonaro à frente e um Congresso mais conservador.
É a reação mais forte do mercado desde o início da campanha eleitoral.
O CDS funciona como um seguro contra calote da dívida soberana. Quanto maior o valor, mais caro fica para o governo brasileiro tomar dinheiro emprestado lá fora. O indicador foi criado em 1992 pelo J.P. Morgan, para medir a confiança do mercado em economias emergentes.
Em fevereiro de 2020, no governo Bolsonaro e antes da pandemia, o CDS brasileiro estava em 93 pontos. Já no mesmo período, uma pesquisa eleitoral favorável a um dos lados já havia derrubado o dólar e disparado a Bolsa, em setembro.
O que explica a queda agora?
Segundo o mercado, a expectativa é que um eventual governo de Flávio Bolsonaro adote medidas de contenção de gastos e de estabilização da dívida pública. Na semana, o Ibovespa subiu 8,82% e o dólar caiu 4,40%, cotado a R$ 4,98.
Um leilão de títulos públicos captou R$ 33,3 bilhões na mesma semana. Analistas já apontavam, antes do 1º turno, que o resultado das urnas mexeria com dólar, juro e Bolsa, e a previsão se confirmou.
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O Brasil já teve risco menor que esse?
Sim, mas não recentemente. O patamar de 110 pontos ainda está acima dos 93 pontos de fevereiro de 2020, e bem longe dos melhores momentos da série histórica do indicador, quando o país chegou a ter grau de investimento.
O Brasil perdeu o grau de investimento em 2015 e 2016, durante a recessão e a crise fiscal. Outras empresas brasileiras já recuperaram terreno antes do país: a Embraer subiu para BBB na Fitch em setembro, o melhor rating da fabricante desde 2020.
Hoje, o CDS brasileiro (110 pontos) está perto do mexicano (94 pontos). Mas a distância que importa não é essa: o México tem grau de investimento nas três agências, e o Brasil segue dois níveis abaixo, na categoria especulativa.
O que pesa contra a melhora durar
A sustentabilidade da queda depende de fatores que ainda não aconteceram: a manutenção do marco fiscal, o desenho final da reforma tributária e um déficit do governo dentro da meta. Cenários externos adversos, como juros mais altos nos Estados Unidos, também podem reverter o movimento.
A pergunta que fica para depois do 2º turno, em 25 de outubro, não é sobre qual candidato o mercado prefere. É sobre qual rota concreta levaria o Brasil de volta ao grau de investimento perdido há dez anos.





























