Um estudo com 60 adultos saudáveis do Reino Unido e da Bélgica associou a presença de certas bactérias na língua à velocidade com que uma pessoa processa informações. Participantes com maior proporção da bactéria Prevotella histicola responderam mais rápido a tarefas de avaliação cerebral.

O estudo foi publicado na segunda-feira (5) na revista científica PLOS One, liderado por pesquisadores da Universidade de Exeter, no Reino Unido, e da Universidade Livre de Bruxelas, na Bélgica.

A equipe avaliou 30 pessoas em cada país, sendo 15 adultos jovens e 15 mais velhos, todos saudáveis e não fumantes. Os participantes fizeram 10 testes de memória, atenção e reconhecimento de emoções.

Além da Prevotella histicola, a bactéria Haemophilus parainfluenzae também esteve relacionada ao desempenho nos dois países, mas o padrão variou: na Bélgica, apareceu ligada a mais acertos de memória; no Reino Unido, a respostas mais lentas no reconhecimento de emoções.

As diferenças foram observadas entre pessoas saudáveis e não representam diagnóstico de comprometimento das funções cerebrais, segundo os pesquisadores.

Algumas bactérias da boca ajudam o corpo a produzir óxido nítrico, molécula que dilata os vasos sanguíneos e facilita a passagem do sangue.

A mesma equipe de Exeter já havia associado o composto a outro benefício: o suco de beterraba, rico em nitrato, ajuda a controlar a pressão arterial em idosos.

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A pesquisa também achou diferenças ligadas à idade: 17 espécies bacterianas variaram entre os grupos mais jovens e mais velhos. Bactérias dos gêneros Treponema e Tannerella, associadas a doença gengival, foram mais comuns entre os participantes mais velhos.

O achado se soma a outras pesquisas recentes sobre o tema. Outro estudo mostrou que sinais de envelhecimento do cérebro aparecem décadas antes do esperado, e um terceiro já havia associado a microbiota intestinal ao desempenho físico.

O estudo tem amostra pequena, de 60 pessoas, e os resultados variaram conforme a tarefa e o país avaliado.