O déficit na balança comercial de bens e serviços dos Estados Unidos subiu para US$ 105,6 bilhões em agosto, alta de 13,7% sobre julho e acima da previsão de analistas, segundo dados divulgados nesta semana pelo Departamento de Comércio americano.
As exportações somaram US$ 315,2 bilhões em agosto, avanço de 1,4% sobre julho. Já as importações saltaram 4,3%, a US$ 420,8 bilhões, no mesmo período.
O resultado ficou US$ 3,9 bilhões acima do consenso de mercado, que previa déficit de US$ 101,7 bilhões, segundo a consultoria FactSet. O déficit de julho também foi revisado para cima, de US$ 88,6 bilhões para US$ 92,8 bilhões.
O resultado chega em meio à disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos.
Desde julho, os EUA aplicam tarifas de até 37,5% sobre produtos brasileiros, decisão do governo Trump baseada em investigação da Seção 301.
O efeito já aparece nos números. As exportações do Brasil aos EUA caíram 9,7% entre janeiro e agosto, para US$ 24,1 bilhões, segundo o Monitor do Comércio da Amcham Brasil.
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Os setores mais afetados no período foram a indústria extrativa, com queda de 28,9%, e a agropecuária, que recuou 26,7%.
Com a retração das vendas, o Brasil passou a gastar mais em produtos americanos do que recebe pelo que exporta para lá, e amargou déficit bilateral de US$ 3,2 bilhões com os EUA no acumulado do ano, aponta a Amcham.
Nem todo o quadro é negativo. Agosto isolado teve alta de 12,1% no valor exportado pelo Brasil aos EUA, mesmo com o volume físico embarcado caindo 17,3% no mês, o que indica mudança na composição do que o país vende aos americanos.
A divisão por tipo de produto também varia. Nos itens sobretaxados pelos EUA, a queda acumulada foi de 11,4%; nos que ficaram fora da lista de exceções americana, de 8,3%.
As exportações brasileiras para outros 19 destinos, nesse meio tempo, cresceram US$ 19,3 bilhões, amortecendo parte da perda com os EUA.
Governo brasileiro e EUA negociam uma saída para o impasse. Ainda em setembro, o Brasil já buscava uma reunião no G20 para reduzir o tarifaço de 37,5%.
No início de outubro, os dois países criaram um grupo de trabalho para negociar o fim da sobretaxa. A tarifa já havia custado US$ 6,6 bilhões em exportações brasileiras somente nas primeiras semanas de vigência, em julho.
O que acontece agora
O grupo de trabalho criado por Brasília e Washington deve seguir discutindo uma redução das tarifas nas próximas semanas. Até lá, o mercado acompanha os próximos balanços mensais do Departamento de Comércio para medir se a tendência de déficit maior se confirma.





























