A Fitch Ratings elevou na quarta-feira (9) o rating de crédito de longo prazo da Embraer de BBB- para BBB, com perspectiva estável. A agência citou diversificação de produtos e mercados, recuperação de margens e um backlog de US$ 34,5 bilhões como base da decisão. A ação EMBJ3 fechou o dia em alta.

"A companhia combina histórico de geração positiva de fluxo de caixa livre, flexibilidade financeira e acesso a mercados de crédito no Brasil e no exterior", informou a Fitch, ao justificar a nota. Isso permite à Embraer honrar compromissos em períodos de oscilação do setor aéreo.

A Fitch também confirmou a nota da empresa na escala nacional em AAA(bra) e elevou para BBB os títulos sem garantia da subsidiária Embraer Netherlands Finance BV.

O balanço de 30 de junho mostra dívida total de US$ 2,5 bilhões, dos quais 65% em títulos internacionais sem garantia. O caixa disponível soma US$ 2 bilhões, além de linha de crédito rotativo de US$ 1 bilhão que vence em 2029.

A liquidez disponível cobre as amortizações de dívida da Embraer até pelo menos 2035, segundo a Fitch.

Segundo a Fitch, o backlog de US$ 34,5 bilhões cresceu 16% no primeiro semestre de 2026, reforçado por vendas recentes como o pedido de mais 8 jatos da companhia aérea japonesa ANA.

A agência cita ainda as entregas de aeronaves, que subiram 20% no mesmo semestre, para 109 unidades, no ritmo que também puxou o recorde de receita do segundo trimestre. A Fitch projeta margem Ebitda entre 12% e 13% até 2028.

O que muda na prática com o grau de investimento mais alto

O grau de investimento reduz o risco percebido pela empresa por bancos e investidores. Quando a Embraer recuperou o selo mínimo em 2024, ao sair de BB+ para BBB-, analistas do JPMorgan apontaram que a mudança tende a baixar o custo da dívida da companhia.

O mesmo se aplica agora, com crédito mais barato e mais investidores dispostos a comprar o papel. A Embraer também recorre a crédito de fomento, caso do financiamento de até R$ 3,7 bilhões que o BNDES concedeu para exportar jatos ao Canadá.

Da perda do grau de investimento à nova alta

A Embraer já teve rating BBB- antes de 2020, quando a Fitch rebaixou a nota para BB+ após o fim da parceria com a Boeing e a crise da aviação na pandemia. A companhia levou quatro anos para recuperar o grau de investimento, em 2024.

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A elevação ocorre em meio a uma disputa comercial no setor aeroespacial. Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump ameaçou banir do mercado americano a canadense Bombardier, principal rival da Embraer em jatos executivos.

Para a Fitch, pedidos distribuídos entre diferentes produtos e regiões reduzem parte do risco da menor escala da Embraer frente a Boeing e Airbus. Ainda assim, as margens da fabricante brasileira seguem abaixo das registradas pelas rivais maiores.

No mercado, o movimento se refletiu na ação EMBJ3, negociada na B3. O papel fechou o pregão de quarta (9) em alta de 1,10%, a R$ 95,27, ante o fechamento anterior de R$ 94,23.