Um grupo de países do G20 rejeitou nesta sexta-feira (2) a cobrança dos Estados Unidos por ação coordenada contra o excesso de capacidade industrial, informou o USTR. A declaração veio um dia após a reunião de ministros do Comércio do G20 em Milwaukee, no Wisconsin.
O USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) não identificou os países que rejeitaram a proposta. Apenas México e Argentina aderiram a uma segunda declaração, também liderada pelos EUA, que pede mais esforço contra o trabalho forçado nas cadeias de abastecimento.
"O rascunho da declaração ministerial foi apoiado por todos, exceto por um punhado de membros, alguns dos quais rejeitaram firmemente a criação desse caminho para uma ação cooperativa", afirmou o comunicado do USTR.
O órgão disse que a resistência "decepcionou profundamente" a presidência americana no G20.
A China já havia rejeitado texto semelhante do G20 sobre trabalho forçado, um mês antes, em reunião de líderes financeiros em Asheville (Carolina do Norte). O excesso de capacidade chinesa é tema central das reuniões do G20 lideradas pelos EUA neste ano.
Pequim nega que suas políticas industriais causem excesso de produção e acusa países ocidentais de usar o argumento para justificar protecionismo, segundo o comunicado do USTR.
Apesar da divergência sobre capacidade industrial, os ministros chegaram a consenso em outro ponto. Concordaram em não usar o comércio de alimentos e produtos agrícolas como instrumento de pressão política, segundo o USTR.
Por ora, o Brasil fica de fora da disputa mais ampla. O impasse multilateral ocorreu dias depois de o Brasil tentar, na mesma reunião, destravar sua própria disputa comercial com Washington.
Na véspera (30/9), o chanceler Mauro Vieira e o ministro Márcio Elias Rosa se reuniram por 40 minutos com o representante de Comércio dos EUA. O encontro fechou a criação de um grupo de trabalho para negociar o fim do tarifaço.
Segundo o Itamaraty, as duas partes classificaram o encontro como "construtivo" e disseram estar dispostas a buscar um entendimento mutuamente satisfatório. O governo dos EUA aplicou duas rodadas de tarifas sobre produtos brasileiros em julho, alegando práticas comerciais desleais. O Brasil nega a acusação.
O que acontece agora
O Itamaraty aguarda a proposta americana, prevista para as próximas semanas, com os pontos tarifários e não tarifários que o grupo de trabalho vai discutir nas próximas rodadas.
Até lá, o tarifaço sobre produtos brasileiros segue em vigor, e o G20 segue dividido sobre como lidar com o excesso de capacidade industrial que opõe Washington e Pequim há meses, sem data prevista para um novo consenso.






























