Comentaristas da CNN avaliaram nesta quinta-feira (8) o que Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) precisam fazer para vencer o 2º turno, em 25 de outubro. Cardozo defende que o petista explore o risco à democracia; Magno Karl pondera o que cada campanha fará.

A análise foi feita no programa O Grande Debate, exibido de segunda a sexta às 23h na CNN.

A discussão veio um dia depois de a pesquisa Datafolha apontar Flávio à frente de Lula dentro da margem de erro, no primeiro levantamento do instituto para o 2º turno.

O que Cardozo recomenda a Lula

Cardozo recomenda que Lula calibre melhor a orientação da campanha e desperte nos eleitores democratas a percepção de que a democracia corre sério risco. Para ele, declarações recentes de Flávio ofendem cláusulas pétreas da Constituição.

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O comentarista cita propostas como mudar a Constituição, "redemocratizar o país" e aplicar castração química a estupradores — atos que, para ele, também violam tratados internacionais assinados pelo Brasil.

Cardozo defende ainda que o histórico da família Bolsonaro, incluindo os eventos de 8 de janeiro de 2023, seja usado por Lula como argumento de campanha. Para ele, nenhuma fala atual de Flávio apaga esse passado.

Ele precisaria pegar este mote e dizer que o Brasil pode correr certos riscos no plano democrático e precisamos dos democratas juntos

O desafio de Flávio Bolsonaro

Já o caminho de Flávio é mais estreito, segundo Cardozo: ele não pode errar e pode "jogar mais parado", consolidando o apoio da direita sem afastar o eleitor que rejeita Lula mas não se identifica com propostas bolsonaristas mais radicais.

Esse equilíbrio, para Cardozo, é tarefa complexa diante da "bolha bolsonarista" que representa mais da metade dos votos de Flávio.

Magno Karl, por sua vez, separou a análise em duas camadas: o que cada candidato deveria fazer, no cenário ideal, e o que de fato deve fazer, na prática da campanha.

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O pano de fundo da disputa é um eleitorado menos mobilizado que o normal. O 1º turno registrou 33,4 milhões de abstenções, equivalente a 21% dos eleitores aptos — o maior índice desde 1998.

A taxa recorde de abstenção já havia sido confirmada pelo TSE. Levantamento posterior mostrou que ela favoreceu Flávio em 4 das 5 regiões do país — mobilizar quem ficou em casa pode pesar mais do que qualquer discurso de debate.

O que acontece agora

O programa deve manter a análise diária da disputa até a votação. As duas campanhas seguem agenda de atos e entrevistas na reta final, e o resultado do 2º turno sai nas urnas em 25 de outubro.