A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, disse nesta quarta-feira (7/10), em discurso em Singapura, que a economia mundial está ameaçada pela dívida pública recorde, pela energia cara e pelo boom de investimento em inteligência artificial. Segundo ela, o avanço da IA beneficia poucos países.
A dívida pública global já soma cerca de 95% do PIB mundial e deve ultrapassar 100% antes de 2030, segundo o FMI. Georgieva chamou as economias avançadas de alta dívida de "as piores ofensoras" na trajetória do endividamento.
"O impacto combinado dessas duas forças é extremamente desigual ao redor do mundo."
Por que o impacto é tão desigual?
O mundo está sendo puxado em duas direções: um choque negativo na oferta de energia, da guerra no Oriente Médio, e um choque positivo de demanda, da inteligência artificial, que também alimenta a inflação.
O boom não chega a muitos países, segundo Georgieva, mas poderia elevar o crescimento global em até 0,5 ponto percentual ao ano. No Brasil, ele já tem preço: um data center de porte médio custa R$ 25 bilhões e gera 37 mil empregos.
Quem mais perde, segundo Georgieva, são Ucrânia e países do Golfo, atingidos pela guerra e por ataques iranianos. O petróleo subiu para perto de US$ 100 o barril, ante US$ 89 previstos em julho.
O Estreito de Ormuz segue no centro da disputa: o Irã teria perdido o controle da via, segundo os EUA, mas Teerã nega.
Publicidade
"O espaço fiscal está clamando por reposição", disse Georgieva, cobrando ação dos países desenvolvidos mais endividados. A cobrança mira os países ricos, não os emergentes: são as economias avançadas, segundo ela, que mais acumulam dívida sem resposta.
O Brasil já sentiu pressão parecida: a dívida pública do país chegou ao maior nível em quase cinco anos em maio.
Na semana passada, o Banco Mundial elevou a projeção de crescimento do Brasil, na direção oposta ao corte que o FMI projeta para economias atingidas pela guerra.
Quem paga a conta do alerta do FMI
O Brasil não está na lista de "piores ofensoras", mas lidera o ranking mundial de juros reais, com a Selic a 14,25%. A pergunta que fica: o boom de IA vai pesar mais no crescimento ou na conta de quem ficar de fora?
O que acontece agora
O FMI divulga suas novas projeções de crescimento global na próxima semana, durante as Reuniões Anuais do Fundo e do Banco Mundial, em Bangcoc.





























