O Ministério da Fazenda reduziu de 2,3% para 2,0% a projeção de crescimento do PIB em 2026, no Boletim Macrofiscal divulgado nesta terça-feira (22) pela Secretaria de Política Econômica (SPE). A estimativa de inflação também caiu, de 5,1% para 4,9%.
A revisão reflete a desaceleração em dois dos três setores da economia.
Por que o crescimento perdeu força
A projeção para os serviços caiu de 2,4% para 1,8%, e a da indústria recuou de 2,1% para 1,7%. A agropecuária foi na direção oposta, subindo de 1,8% para 2,8% puxada pela safra de grãos.
Segundo o boletim, a queda nos serviços "decorre do carrego mais fraco deixado pelo primeiro semestre e da transmissão defasada da política monetária sobre a demanda doméstica". Já a indústria sofre com o custo elevado do crédito.
O que trava o consumo das famílias
O comprometimento da renda familiar com o serviço da dívida chegou a 28,9% em junho, o maior patamar da série histórica, mesmo com o endividamento estável em proporção da renda, hoje próximo de 49,8%.
Isso significa que o mercado de trabalho aquecido não está virando consumo: o dinheiro extra do salário está indo pagar dívida, não para a loja. A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda deve atenuar esse efeito no segundo semestre.
O boletim Focus já vinha sinalizando esse mesmo aperto entre Selic e inflação, e a ata do Copom desta semana testa a aposta em novos cortes de juros.
A estimativa de inflação de 4,9% também ainda não considera as medidas mais recentes sobre combustíveis. As alíquotas do PIS/Pasep e da Cofins sobre a gasolina caíram R$ 0,63 por litro.
É um corte que tende a puxar o IPCA para baixo no próximo boletim.
É um dado que também não aparece na arrecadação recorde de agosto, outro número fiscal divulgado pela Fazenda nas últimas semanas.
O ponto em aberto
A Fazenda reduziu a projeção de crescimento na comparação com o boletim anterior, enquanto o cenário de juros altos e dívida das famílias no maior patamar da série segue praticamente o mesmo.
A pergunta que fica é até que ponto a queda vista hoje nos serviços e na indústria é temporária, ligada ao crédito caro, ou já é o novo patamar de cruzeiro da economia com a Selic no atual nível.





























