O trabalho em casa recuou de 8,4% para 7,9% dos ocupados em 2025, mas segue bem acima do patamar pré-pandemia, mostra a Pnad Contínua divulgada pelo IBGE nesta quarta-feira (23). Em 2019, antes da Covid-19, apenas 5,8% trabalhavam de casa no Brasil.

Em números absolutos, são 6,65 milhões de brasileiros trabalhando principalmente de casa, contingente parecido com a população da cidade do Rio de Janeiro. São Paulo concentra o maior grupo entre as capitais, com 543 mil pessoas.

Onde o home office cresceu mais?

Três estados tiveram percentual de home office acima de 10% em 2025: Ceará (10,7%), Distrito Federal (10,6%) e Rio de Janeiro (10,1%). Três ficaram abaixo de 5%: Acre (3,6%), Rondônia (4,1%) e Mato Grosso (4,5%).

Entre as capitais, Porto Alegre lidera com folga: 18,7%.

Porto Velho tem o menor percentual entre as capitais, 4,2%. Na capital paulista, a taxa ficou em 9,3%, acima da média nacional.

O que os números não mostram?

A metodologia do IBGE considera só o local de trabalho predominante. Quem trabalha três dias em casa e dois no escritório entra como home office. Quem faz o inverso aparece como trabalho em estabelecimento físico.

Isso significa que os 7,9% não captam todo mundo que faz algum trabalho remoto, só quem o faz como rotina predominante.

Ainda assim, o escritório físico segue como norma: 60,2% dos ocupados trabalham no estabelecimento do próprio empreendimento, participação que sobe desde 2022, mas segue abaixo do recorde da série, 64,6%, registrado em 2014.

O ponto em aberto

Enquanto o home office perde força nos números da Pnad, grandes empresas seguem investindo em espaço físico. O Itaú fechou, neste ano, aluguel de escritórios de R$ 1,17 bilhão.

A pergunta que os dados de hoje não respondem é se o regime híbrido, que a própria metodologia do IBGE tem dificuldade de capturar, vai seguir perdendo espaço ano a ano.

Ou se o patamar atual, quase o dobro do pré-pandemia, já é o novo normal.

O mesmo levantamento do IBGE mostrou que pessoas com deficiência ganham quase 30% menos no mercado de trabalho. A mudança no local de trabalho é só uma entre várias transformações que a pesquisa revela.

Isso inclui a informalidade que ainda marca boa parte dos autônomos do país.