O Itaú Unibanco fechou com a incorporadora Eztec o maior contrato de locação corporativa do ano em São Paulo. O banco vai pagar R$ 1,17 bilhão em 10 anos pelas duas torres do Esther Towers, na zona sul da capital.
O contrato, assinado pela subsidiária Mairiporã Incorporadora, cobre cerca de 91,4 mil m² de área locável e pode ser prorrogado por mais 5 anos. O aluguel é reajustado anualmente pelo IPCA.
O espaço vai receber 9.600 posições de trabalho, ocupadas aos poucos conforme as obras terminam. Em nota, o banco disse que a escolha levou em conta "critérios operacionais, de infraestrutura e de atendimento às necessidades futuras".
O que isso tem a ver com o home office?
O momento do anúncio chama atenção. O Itaú confirmou, também este ano, que a partir de 2028 os funcionários administrativos cumprem 3 dias presenciais por semana, ante os 8 dias por mês de hoje.
Superintendentes já têm 4 dias presenciais semanais a partir de janeiro de 2027.
O Itaú não está sozinho nesse movimento. Também em 2026, o Bradesco determinou o retorno presencial de quase 900 funcionários de duas áreas, e o Nubank passou a exigir ao menos 2 dias de escritório por semana a partir do segundo semestre.
O Santander, por sua vez, mantém o home office limitado a 2 dias semanais nas áreas administrativas.
O maior aluguel corporativo do ano em São Paulo é, na prática, uma aposta de que o escritório físico veio para ficar — na contramão do discurso de trabalho remoto permanente que dominou o setor bancário poucos anos atrás.
O mercado já esperava esse movimento?
Sim. Em março, o Itaú BBA já via um eventual contrato com o Esther Towers como sinal de compra das ações da Eztec, então descontadas. Com o negócio fechado, o BTG estima receita líquida de R$ 130 milhões por ano para o empreendimento.
Esse valor equivale a 20% do lucro projetado da incorporadora para 2027. A Eztec também vinha reforçando o valor de suas ações com recompras e cancelamento de papéis em tesouraria.
O negócio reflete um mercado imobiliário corporativo aquecido em São Paulo: fundos de investimento vêm fechando compras na mesma linha, como a aquisição de um imóvel na Faria Lima por R$ 130 milhões, no início do ano.
O ponto em aberto
A exigência crescente de presença física ainda enfrenta debate regulatório no país sobre os limites do controle patronal sobre a jornada híbrida.
Falta saber se outros grandes bancos vão replicar o movimento do Itaú com contratos de longo prazo, ou se vão preferir manter flexibilidade em meio a essa discussão.


























