O boletim Focus do Banco Central projeta inflação de 5,22% para 2026, acima do teto de 4,5% fixado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Nesta semana, o IBGE divulga o IPCA de outubro na quinta-feira (12 de novembro), após alta de 0,82% em setembro.
Na semana passada, o Banco Central manteve a Selic em 13,75% ao ano e classificou a política monetária como "substancialmente contracionista". A ata do Copom que explica por que a Selic parou em 13,75% sai na terça-feira (10 de novembro).
As duas maiores instituições financeiras do país divergem sobre o tamanho da alta de preços em outubro. O Bradesco projeta elevação mensal de 0,29% no IPCA, com os alimentos como principal fator de pressão.
O Itaú estima variação menor, de 0,21%, com o setor de serviços subjacente sob pressão. A estimativa do banco elevaria a taxa acumulada em 12 meses a 4,7%, ante 4,6% em setembro.
Por que a inflação está acima da meta
A inflação está acima da meta porque o mercado financeiro elevou a projeção para 5,22% em 2026, quarta alta seguida no Boletim Focus, enquanto o teto oficial, fixado pelo CMN, é de 4,5% ao ano.
A meta de inflação para 2026, definida pelo CMN, é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Isso define um piso de 1,5% e um teto de 4,5%.
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Desde a mudança de sistemática, a checagem do cumprimento da meta deixou de ser só em dezembro e passou a ser mensal. O Banco Central só descumpre a meta se a inflação acumulada em 12 meses ficar fora da banda por seis meses consecutivos.
Isso já aconteceu em setembro, quando a inflação furou o teto da meta do Banco Central.
A distância entre a projeção do mercado e o teto da meta ajuda a entender a avaliação do próprio Banco Central, que chama a política monetária atual de "substancialmente contracionista", mesmo com a Selic estável desde a última reunião do Copom.
O avanço da estimativa também é recente. O Boletim Focus piorou as contas do país após a eleição, com a projeção subindo pela quarta semana seguida.
Os números não repetem o quadro: eles mostram quando cada indicador sai. O que importa é o que vem depois de cada um.
O que acontece agora
O próximo marco é a ata do Copom, publicada pelo Banco Central na terça-feira (10 de novembro), com mais detalhes sobre a avaliação do comitê para os próximos meses.
O IPCA de outubro, divulgado pelo IBGE na quinta-feira (12 de novembro), deve mostrar se a alta de preços perdeu ou ganhou força em relação a setembro.
Nos Estados Unidos, o índice de preços ao consumidor (CPI) de outubro sai na terça-feira (10 de novembro) e o índice de preços ao produtor (PPI) na quinta-feira (12 de novembro).






























