O Japão abriu nesta quarta-feira (30) seu mercado à carne bovina argentina após 20 anos de restrição, anunciou o ministro da Economia argentino, Luis Caputo. O acordo vale para carne de áreas livres de febre aftosa com vacinação. O Brasil aguarda auditoria marcada para março.
"Trata-se de um acordo histórico", disse Caputo, em publicação na rede social X.
Segundo o ministro, as negociações entre os dois países começaram em 2024 e avançaram com a definição das exigências sanitárias para a importação. O Japão importa mais de US$ 3 bilhões em carne bovina de alta qualidade por ano.
Para Caputo, a abertura "reconhece a qualidade da nossa carne e a solidez do nosso sistema sanitário" argentino.

Por que o Brasil segue fora desse mercado
O Brasil não vende carne bovina ao Japão porque o país ainda avalia o sistema sanitário brasileiro, etapa exigida para a autorização. O Brasil tenta esse acesso há 25 anos, mais tempo do que o Japão levou para reabrir o mercado argentino.
Uma auditoria in loco de técnicos do Ministério da Agricultura, Florestas e Pesca do Japão está marcada para março, a sexta de 12 etapas previstas no protocolo sanitário bilateral. Depois dela, a análise passa a ser só documental, o que pode acelerar o processo.
A abertura japonesa está concentrada, por enquanto, em três estados do Sul: Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, que obtiveram primeiro o status de livre de febre aftosa e enviaram a documentação mais cedo aos japoneses.
O acesso ao Japão interessa ao setor porque o Brasil esgotou a cota de exportação de carne à China em 2026 e passou a pagar sobretaxa de 55% sobre o volume excedente, o que aumenta a pressão para diversificar destinos.
O país é hoje o maior exportador mundial de carne bovina: 150 frigoríficos já estão habilitados a vender à China, principal destino que, segundo a Abiec, responde por 53,2% do volume exportado até julho.
As vendas aos Estados Unidos sobem mesmo com o tarifaço americano, consolidando o país como o segundo maior comprador da carne brasileira.
O que acontece agora
A próxima etapa concreta é a auditoria sanitária de março, quando técnicos japoneses avaliam o sistema de controle da febre aftosa no Brasil, sem inspecionar frigoríficos específicos. Aprovado o relatório, restam seis etapas documentais do protocolo antes de qualquer frigorífico poder exportar.





























