A cesta básica ficou mais barata em 25 das 27 capitais brasileiras em agosto, segundo pesquisa divulgada nesta quinta-feira (10) pelo Dieese e pela Conab. A queda em relação a julho contrasta com o resultado anual, que registra aumento em 25 cidades.
Rio Branco teve a maior redução mensal, de 4,68%, seguida por Manaus, com 4,55%, e Boa Vista, com 4,47%. Maceió e São Luís foram as exceções, com altas de 1,43% e 0,78%, respectivamente.
O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) realiza o levantamento com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). No acumulado desde dezembro, todas as capitais registram encarecimento, de 2,82% em Brasília a 12,29% em Porto Velho.
O alívio na compra do mês ainda não desfez a alta acumulada no ano. Na comparação com agosto de 2025, Goiânia teve o maior aumento, de 7,51%. Apenas Brasília e Palmas ficaram abaixo dos preços de um ano antes.
Quanto a cesta básica pesa no salário?
A cesta básica consumiu, em média, 48,46% do salário mínimo líquido nas capitais em agosto. O cálculo do Dieese desconta a contribuição previdenciária de 7,5%. Em julho, o mesmo conjunto de alimentos comprometia 49,34% da renda de quem recebe o piso.
O tempo médio de trabalho necessário à compra caiu de 100 horas e 24 minutos em julho para 98 horas e 37 minutos. O indicador acompanha o peso dos alimentos no salário, já retratado pela TV Sim.
São Paulo manteve a cesta mais cara, a R$ 900,59, equivalente a 60,06% do mínimo líquido. Belo Horizonte ficou em R$ 759,55 e 50,66%. A tabela do levantamento mostra diferenças tanto de preço quanto de comprometimento da renda.
| Capital | Valor | Parcela do mínimo líquido |
|---|---|---|
| São Paulo | R$ 900,59 | 60,06% |
| Cuiabá | R$ 851,57 | 56,79% |
| Rio de Janeiro | R$ 851,19 | 56,77% |
| Belo Horizonte | R$ 759,55 | 50,66% |
| Aracaju | R$ 570,98 | 38,08% |
Aracaju apresentou o menor valor, de R$ 570,98. A comparação regional exige cuidado, porque a cesta do Norte e Nordeste tem menos carne, substitui farinha de trigo por mandioca e não inclui batata, conforme a metodologia.
Quais alimentos ficaram mais baratos?
Os alimentos que ficaram mais baratos incluem batata, café, tomate e feijão. O café recuou em 23 capitais, e o tomate, em 22. A batata caiu em todas as cidades do Centro-Sul nas quais o produto é pesquisado.
Segundo o relatório, a intensificação da colheita de inverno ampliou a oferta de batata. O documento associa a queda do café à retração da demanda diante dos preços elevados no varejo, mesmo com redução na oferta de grãos.
Arroz agulhinha e leite integral subiram em 23 capitais cada.
Para sustentar uma família de quatro pessoas, o Dieese estimou o mínimo necessário em R$ 7.565,86, ante R$ 7.687,01 em julho. Esse cálculo reúne alimentação, moradia, saúde e outras despesas, tomando a cesta mais cara como referência.


























