A China reduziu em 12% as compras de soja dos Estados Unidos em agosto, enquanto elevou em 1% as importações do Brasil, segundo dados alfandegários citados pela Reuters. O movimento mantém o Brasil como principal fornecedor do grão na disputa comercial entre Pequim e Washington.

Segundo a Administração Geral das Alfândegas da China, o país importou 200.477 toneladas de soja americana em agosto, abaixo das 227.205 toneladas do mesmo mês de 2025. Do Brasil, vieram 10,61 milhões de toneladas, ante 10,48 milhões um ano antes.

No acumulado de janeiro a agosto, a diferença é mais ampla. As compras chinesas dos EUA caíram 34%, para 10,66 milhões de toneladas, enquanto os embarques brasileiros subiram 5%, para 55,14 milhões de toneladas.

O dado reforça a centralidade do Brasil na mesa de compras chinesa justamente quando o setor acompanha revisão de oferta e exportação. A Abiove já havia reduzido a previsão de exportação de soja pela primeira vez desde março.

Como o Brasil aparece nos números?

O Brasil aparece nos números com uma vantagem de escala. Em agosto, vendeu à China cerca de 52 vezes o volume embarcado pelos EUA; no acumulado de oito meses, o total brasileiro ficou pouco acima de cinco vezes o volume americano.

A comparação não significa que a queda dos EUA tenha sido causada só pelo avanço brasileiro. A Reuters informa que boa parte das 12 milhões de toneladas compradas pela China depois de uma cúpula em Busan já chegou aos portos nos últimos meses.

Outro dado ajuda a dimensionar o quadro. Em julho, análise baseada em dados alfandegários chineses apontava o Brasil como maior fornecedor, com 9,78 milhões de toneladas, contra 1,11 milhão dos EUA e 485.752 toneladas da Argentina.

O que muda para o agro brasileiro?

O que muda para o agro brasileiro é a leitura de demanda. A China importou 12,14 milhões de toneladas de soja em agosto, queda anual de 1,1%, mas alta de 5,7% sobre julho, preservando espaço para fornecedores competitivos.

Segundo a Reuters, o país acumulou 74,11 milhões de toneladas importadas de janeiro a agosto, alta de 1,1% sobre o mesmo período do ano anterior. Analistas esperam que o ano termine estável ou levemente abaixo do recorde de 111,83 milhões de toneladas de 2025.

O pano de fundo é comercial e logístico. Liu Jinlu, pesquisador da Guoyuan Futures, atribuiu a alta mensal em parte à safra abundante do Brasil em 2025/26 e à fluidez dos portos.

No Brasil, companhias do setor já discutem como restrições externas afetam novos mercados.

O que acontece agora

O que acontece agora depende das negociações entre China e EUA. Compradores estatais chineses já adquiriram mais de 11 milhões de toneladas de soja americana depois de reunião em maio, dentro de um compromisso de 25 milhões de toneladas anuais até 2028.

Rosa Wang, da Shanghai JC Intelligence, estima chegadas de cerca de 35 milhões de toneladas entre agosto e novembro, com recuo mês a mês no quarto trimestre.

As conversas comerciais seguem no radar depois da reunião entre Bessent e o vice-premiê chinês antes da cúpula Trump-Xi.