Donald Trump e Xi Jinping estenderam nesta quinta-feira (24) a trégua comercial entre Estados Unidos e China até 10 de janeiro de 2027, em encontro na Casa Branca. A China prometeu comprar mais soja americana, e as compras da soja brasileira caíram.
Pequim se comprometeu a adquirir ao menos 25 milhões de toneladas de soja americana por ano entre 2026 e 2028, além de US$ 17 bilhões anuais em outros produtos agropecuários dos EUA. O encontro não trouxe novo anúncio de peso para o comércio agrícola.
Nas duas semanas antes da cúpula, as compras chinesas de soja brasileira caíram para menos de cinco cargas, ante uma média de 20 cargas por semana em agosto. Processadoras chinesas relatam margens de esmagamento negativas, o que reduziu o apetite por soja de qualquer origem.
A tarifa favorece o Brasil, mas não bastou
A tarifa sobre a soja americana segue em 13% na China, entre a alíquota adicional de 10% e a de nação mais favorecida de 3%. A soja brasileira paga só 3%, mas a vantagem não impediu a retração recente nas compras chinesas.
O Brasil já vendeu 90% da safra 2025/26, acima da média de cinco anos (88%). Com o grão majoritariamente comercializado, sobra menos estoque para reagir a uma eventual retomada de demanda chinesa no fim do ano.
Mesmo perdendo ritmo nas compras chinesas, a soja brasileira do porto de Paranaguá chegou a valer mais que a americana no Golfo do México.
Segundo dados citados pela reportagem da CNN Brasil, o grão do Paranaguá tinha prêmio de US$ 1,35 por bushel sobre a referência de Chicago.
A relação comercial entre os dois países é decisiva para o Brasil: a China comprou US$ 55,3 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, o equivalente a 32,7% das exportações do setor. No ano passado, o Brasil exportou 108,2 milhões de toneladas de soja.
A véspera do encontro já indicava o tamanho da dependência. 75% da soja que a China importa vem do Brasil, segundo a Abiove. Nas semanas anteriores, o país asiático já vinha reduzindo a fatia da soja brasileira em favor da americana.
Terras raras também entraram na mesa de Trump e Xi. O tema tem peso direto para o Brasil, que tem 21 milhões de toneladas de óxidos equivalentes em reservas, enquanto a China concentra 60% da mineração global e 91% do refino.
O que acontece agora
A trégua vale até 10 de janeiro de 2027, quando EUA e China precisam decidir se renovam o entendimento ou retomam as tarifas suspensas.
Para o Brasil, o próximo termômetro é o volume de embarques de soja em outubro e novembro, período em que a demanda chinesa costuma reagir à entressafra americana.






























