O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou nesta sexta-feira (25) que o jornalista Antonio Tabet apague um post que associava a família de Flávio Bolsonaro a um ataque contra Nossa Senhora Aparecida. A publicação já tinha alcançado mais de 195 mil visualizações.

No post, publicado na quinta-feira (24), Tabet associou a família de Flávio Bolsonaro a um suposto ataque à padroeira, usando termo ofensivo para se referir aos Bolsonaro. Foi exatamente essa afirmação que o TSE considerou sem lastro probatório: segundo a decisão, os elementos dos autos indicam que Flávio não apresentou nem apoiou nenhuma iniciativa contra o título de Nossa Senhora Aparecida. A decisão proíbe a republicação da mesma acusação, razão pela qual esta reportagem descreve o conteúdo sem reproduzi-lo.

A ordem prevê multa de R$ 30 mil por descumprimento e ainda será submetida ao plenário do TSE.

Não é a primeira vez que Mendonça manda tirar conteúdo do ar. Em agosto, ele já havia ordenado a remoção de um discurso de Lula com pedido de voto antecipado. O padrão mostra ordens em ambos os lados da disputa presidencial.

Para Mendonça, o problema não era o tom crítico da publicação, mas a afirmação de que Flávio ou sua família teriam "atacado" a padroeira.

"A medida mostra-se especialmente necessária diante da proximidade do pleito, da sensibilidade do tema para parcela significativa do eleitorado e do alto potencial de disseminação da informação impugnada", escreveu o ministro.

A proposta citada é de 2007, de outro parlamentar, sem relação com Flávio.

Mais detalhes sobre a polêmica, incluindo a reação de Janja e do vice-presidente Alckmin, estão na cobertura completa do caso.

Como o boato se espalhou em 24 horas

Um levantamento da Palver mostra a escala do boato. As menções ao tema saltaram de uma média de 40 citações a cada 100 mil mensagens nas redes para 735 nesta sexta, um salto que se completou em menos de um dia.

O X, antigo Twitter, teve o maior salto entre as redes. Foi de cerca de 50 menções a cada 100 mil mensagens em 23 de setembro para 379 nesta sexta.

Em grupos de WhatsApp e Telegram, o pico chegou a 15 menções a cada 100 mil mensagens.

A onda começou depois de um comentário no programa "Em Pauta", da GloboNews, que citou uma suposta mobilização evangélica para retirar o título de padroeira. O canal corrigiu a informação horas depois, na edição da meia-noite.

Segundo a Palver, 73% das mensagens nas redes abertas criticavam Flávio, e 27% o defendiam, descontados os posts neutros. Em WhatsApp e Telegram, a proporção foi de 60% de críticas para 40% de apoio.

O que esse caso mostra sobre o combate à desinformação eleitoral

O caso mostra como uma frase de comentário de TV pode virar, em poucas horas, um boato com alcance de centenas de milhares de pessoas antes de qualquer verificação. A correção, mesmo vinda do mesmo veículo, raramente alcança quem já viu a versão errada.

É esse descompasso, entre a velocidade do boato e a lentidão da correção, que a decisão do TSE tentou conter, com prazo curto e multa.