O porto de Chancay, no Peru, virou ponto de pressão para o Brasil porque encurta a rota sul-americana até a Ásia e entrou no centro da disputa entre Estados Unidos e China. Operado pela Cosco, o terminal cresceu quase 71% no primeiro semestre.
A análise foi publicada nesta segunda-feira (21) pelo UOL, em texto da RFI assinado por Thiago de Aragão. Segundo ele, a discussão não é só portuária. Chancay pode reprecificar o custo de levar soja, milho e cobre sul-americanos para compradores asiáticos.
O dado central é o ritmo do terminal. De acordo com a análise, Chancay movimentou 200 mil contêineres no primeiro semestre de 2026, alta de quase 71% ante igual período de 2025.
O mesmo texto afirma que o porto somou 987 mil toneladas em granéis e carga geral e já passou de 502 mil TEU no acumulado desde a abertura.
A TLC Magazine México registrou alta de 70,94%, com base em números divulgados pela Cosco Shipping em 14 de agosto.
Para o produtor brasileiro, a disputa importa menos pelo cais peruano e mais pelo custo final do frete até a China. A TV Sim já mostrou como decisões chinesas sobre carne mudam a margem do Brasil mesmo quando o fato acontece fora do país.
Por que Chancay preocupa o Brasil?
Chancay preocupa o Brasil porque pode deslocar parte da lógica de exportação do Atlântico para o Pacífico. Segundo a análise publicada pelo UOL, quem influencia esse custo também influencia a margem do produtor brasileiro e o poder de barganha do comprador chinês.
O terminal foi inaugurado em 2024 e é controlado em 60% pela Cosco Shipping Ports Limited, segundo o El País. A operação transforma o Peru em peça de infraestrutura para a ligação entre América do Sul e Ásia.
A leitura brasileira fica mais sensível porque o tema cruza logística, agro e diplomacia. Enquanto o governo Lula tenta preservar canais com Washington, a TV Sim mostrou que o Planalto segurou a Lei da Reciprocidade para evitar escalada com Trump.
Onde entram EUA e China?
EUA e China entram porque Chancay virou vitrine da disputa por influência no Pacífico sul-americano. Segundo o UOL, Marco Rubio publicou artigo no El Comercio em 8 de setembro acusando projetos chineses no Peru de riscos à transparência e à segurança de dados.
O El Comercio informou que Rubio esteve em Lima e celebrou a entrada do Peru no Escudo das Américas. O South China Morning Post noticiou que a embaixada chinesa rebateu as críticas e defendeu os investimentos de Pequim no país.
A resposta chinesa citada pelo UOL fala em estoque de investimento próximo de US$ 30 bilhões no Peru. O recado político foi que o hemisfério ocidental não é quintal de ninguém, frase que Pequim usa contra a tentativa americana de reorganizar alianças regionais.
O que acontece agora
O que acontece agora é a disputa pelos corredores que ligam o interior sul-americano ao Pacífico. A análise do UOL afirma que o crescimento de Chancay antecipa a conversa sobre expansão, ferrovia e financiamento dessas rotas.
Para o Brasil, o efeito prático será medido no preço do transporte e na margem das exportações. A mesma competição por influência já aparece em outras mesas regionais, como a da Venezuela, onde a TV Sim mostrou que Delcy levou energia e dívida aos EUA.





























