A Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro) interceptou a praga quarentenária Liposcelis decolor em uma carga de 360 quilos de caquis frescos vindos da Espanha, no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP). A identificação foi confirmada por laboratório credenciado do Ministério da Agricultura (Mapa).

O voo com a carga chegou ao Brasil em 19 de setembro. A espécie, conhecida como psoque, corrodêncio ou psocídeo de produtos armazenados, está associada principalmente às embalagens e aos materiais de transporte, não necessariamente à polpa dos frutos.

A Liposcelis decolor tolera ambientes de baixa umidade e tem resistência a inseticidas convencionais, o que dificulta seu controle.

Por que a praga é considerada um risco

A espécie é classificada como praga quarentenária ausente do território brasileiro pela Portaria SDA/Mapa nº 1.679/2026. Sua introdução no país poderia afetar a pós-colheita, a armazenagem de grãos, a indústria de alimentos e a conservação de acervos.

O que acontece com a carga agora

O Mapa determinou a fumigação da carga com brometo de metila como medida emergencial de controle. Depois do procedimento, os caquis serão devolvidos à Espanha ou destruídos. Não há liberação da fruta para venda no Brasil.

O Vigiagro é o setor do Mapa responsável por inspecionar aeroportos, portos e postos de fronteira em busca de riscos fitossanitários e zoossanitários.

O comércio agrícola com a Europa segue em dois sentidos

O controle fitossanitário funciona nas duas direções. Em setembro, a União Europeia aceitou protocolos do Brasil e liberou a volta das exportações de frango brasileiro.

O mesmo tipo de barreira sanitária também abre portas. Em julho, a China facilitou a importação de polpas e frutas congeladas do Brasil, como açaí e manga.

O episódio ocorre em meio a um momento de maior comércio agrícola entre o Mercosul e a União Europeia. Um acordo recente entre os blocos já elevou a exportação agrícola da Argentina para a Europa.

O caso foi divulgado nesta semana e reforça o papel do Vigiagro como barreira sanitária permanente nas fronteiras do país.