O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, anunciou nesta quarta-feira (30) a criação de um novo comando militar dedicado a sistemas autônomos e drones com inteligência artificial. É o primeiro comando das Forças Armadas americanas criado desde 2019, ano do Comando Espacial.

Batizado de "Comando de Guerra Autônoma", ele vai reunir o desenvolvimento e o fornecimento de recursos robóticos para todas as Forças Armadas dos EUA. Segundo Hegseth, deve ser liderado por um oficial de quatro estrelas.

"O ritmo da guerra está mudando mais rápido do que o processo para apoiá-la", disse Hegseth, em discurso a oficiais e soldados em Quantico, na Virgínia.

"Computação barata, superinteligência e manufatura comercial avançada possibilitaram a proliferação de ataques de baixo custo e alta precisão", acrescentou o secretário.

A medida reflete o esforço do Pentágono para migrar de armas convencionais caras para sistemas autônomos mais baratos baseados em IA, que se mostraram decisivos em conflitos recentes. Hoje, as Forças Armadas dos EUA têm 11 comandos de combate.

O avanço da IA militar já gera disputas judiciais nos EUA. Em setembro, um tribunal barrou a Anthropic de um contrato militar de US$ 200 milhões.

Por que o Brasil trava mais a autonomia da IA

O Brasil adota caminho mais cauteloso. Uma portaria do Ministério da Defesa, publicada em 1º de setembro, autoriza o uso de IA em logística, comando e controle e guerra cibernética, mas deixa claro que o sistema "não terá autonomia total para a tomada de decisões".

A norma determina que equipes humanas supervisionem o uso da força, sobretudo em decisões que envolvam vida ou morte. Ela cita Marinha, Exército e Força Aérea como ramos abrangidos.

Enquanto os americanos criam um comando só para isso, o Brasil ainda debate até onde um algoritmo pode decidir sozinho.

O debate sobre limites é real. Um drone guiado só por inteligência artificial já é capaz de matar sem ordem humana em sistemas usados em outros países.

Os EUA, aliás, já incentivam países da América Latina a aumentar gastos com defesa.

O que acontece agora

O novo comando americano ainda não tem sede nem data de ativação definidas. No Brasil, a portaria de setembro vale como diretriz imediata para projetos de IA em todos os ramos das Forças Armadas.