O presidente da China, Xi Jinping, prometeu neste domingo (13) criar uma comunidade de inteligência artificial de código aberto para os países do BRICS. O anúncio fechou a cúpula do bloco em Nova Délhi, na Índia, e inclui plataforma conjunta, ecossistema de nuvem e cursos de treinamento em IA para os membros.
A proposta chinesa reúne quatro frentes: uma plataforma de IA de código aberto para uso conjunto do bloco, um ecossistema de nuvem para serviços digitais, programas de treinamento em grandes modelos de linguagem e uma parceria entre zonas econômicas especiais dos países-membros.
China vai criar uma comunidade de IA de código aberto do Brics, apoiará a cooperação no desenvolvimento e na aplicação de grandes modelos de linguagem, realizará seminários especializados e cursos de treinamento em IA e construirá um ecossistema aberto para a inteligência artificial.
A frase é de Xi Jinping, no encerramento da cúpula. Ela antecipa parte da agenda que a China pretende puxar quando assumir a presidência rotativa do BRICS, em 2027.
Nem todos os líderes falaram no mesmo tom em Nova Délhi. O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, criticou países que usam tecnologia e minerais críticos como instrumento de pressão diplomática, sem citar nomes. Já o russo Vladimir Putin defendeu reformar a governança global e combinar as vantagens competitivas de cada membro do bloco.
O Brasil chegou à cúpula sem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que preferiu fazer campanha à reeleição no Brasil a viajar à Índia. O país foi representado pelo chanceler Mauro Vieira e pela ex-presidente Dilma Rousseff, hoje presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, o banco do bloco.
Quanto o Brasil já paga por um acordo assim
O Brasil não parte do zero. Desde abril, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) mantém parceria com a estatal Serpro e a chinesa iFlytek para desenvolver IA em português, orçada em R$ 1,276 bilhão ao longo de cinco anos.
O acordo bilateral prevê a criação do Centro China-Brasil de Cooperação em Aplicações de IA e a formação de 3 mil profissionais brasileiros, com foco em modelos de linguagem em português, tradução, acessibilidade e cibersegurança.
A parceria com Pequim está dentro do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), que prevê R$ 23 bilhões em investimentos até 2028, incluindo dois supercomputadores e uma nuvem nacional de dados.
O valor coloca o Brasil num patamar parecido ao da Índia, mas bem abaixo dos planos de centenas de bilhões de euros já anunciados por União Europeia e França.
A oferta chinesa de uma rede aberta multilateral chega quando o Brasil já paga sozinho por uma parceria bilateral equivalente com o mesmo país.
O que acontece agora
A China assume a presidência rotativa do BRICS em 2027 e já sinalizou a inteligência artificial como prioridade do próximo ciclo do bloco. Ainda não há cronograma público de quando a comunidade aberta de IA anunciada em Nova Délhi vai funcionar na prática.
A promessa de Xi passa a integrar a Declaração de Nova Délhi, texto final que também pede reforma do FMI e da ONU, com apoio a um assento permanente do Brasil no Conselho de Segurança.
Um dia antes, o bloco já havia criticado tarifas unilaterais sem citar os EUA. Juntos, os 11 países do grupo somam cerca de 39% do PIB global.


























