O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) confirmou, nesta quarta-feira (16), a primeira detecção mundial de duas drogas sintéticas em saliva. São elas a desclorocetamina (DCK) e a 2-fluorodesclorocetamina (2-FDCK), análogas do anestésico cetamina, achadas em testes feitos em festas de São Paulo.

O achado é do Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Campinas (Ciatox), da Unicamp, que analisou 1.565 amostras de saliva colhidas entre 2023 e 2025, em 14 eventos de São Paulo, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul.

A desclorocetamina apareceu em 48 amostras, 3,1% do total. A 2-FDCK apareceu em 19, ou 1,2%. Já a cetamina, substância original, foi achada em 360 amostras, quase um quarto de tudo que foi analisado.

Segundo o MJSP, não há registro, na literatura mundial, de identificação anterior de DCK e 2-FDCK em fluido oral. Em todos os casos, as duas substâncias apareceram misturadas à própria cetamina, o que indica adição intencional ao produto vendido, e não um subproduto de fabricação.

A descoberta significa que, até a semana passada, nenhum laboratório do mundo sabia que essas duas substâncias circulavam em saliva humana.

A 2-FDCK está na Lista F2 de substâncias psicotrópicas proibidas pela Anvisa e sob controle internacional pelo Anexo II da Convenção de 1971 da ONU. A DCK também está proibida no Brasil, por ser isômero da 5-EAPB, outra substância da mesma lista.

A descoberta faz parte do Projeto Baco, que testa voluntariamente a saliva de frequentadores de festas e festivais para mapear o consumo real de drogas no país.

O risco para quem consome

Quem consome cetamina em festas corre o risco de ingerir, sem saber, DCK ou 2-FDCK. As duas substâncias aparecem misturadas ao mesmo produto, e a 2-FDCK já foi associada, fora do Brasil, a intoxicações graves, internações e mortes.