O turismo de luxo no Brasil faturou R$ 3,34 bilhões em 2025, alta de 0,8% ante 2024, segundo o Anuário BLTA 2026, divulgado nesta semana. A diária média, porém, caiu para R$ 3.109, recuo de quase 5%, enquanto a ocupação dos hotéis de alto padrão ficou em 50%.

O levantamento reuniu respostas de 63 meios de hospedagem entre os 71 associados da Brazilian Luxury Travel Association (BLTA), em parceria com o Centro Universitário Senac. No total, cerca de 1 milhão de hóspedes passaram por esses estabelecimentos no período.

O Rio de Janeiro lidera a lista de destinos mais procurados, citado por 51% dos operadores. Na sequência aparecem Foz do Iguaçu (40%), o Pantanal (24%) e o Maranhão (19%), à frente do litoral da Bahia (17%) e de Fernando de Noronha (10%).

O hóspede do turismo de luxo é majoritariamente brasileiro. Dos visitantes, 70% são nacionais e 30% vêm do exterior, sobretudo da Europa.

Réveillon, Carnaval e casamentos são os eventos que mais atraem esse público. O gasto diário também cresceu, para uma média de R$ 16.524 no turista nacional e R$ 21.216 no internacional, altas de 6% e 4%.

"Estamos vendo uma estabilidade no mercado, mas não no sentido de estagnação e sim de maturidade. O segmento está mais criterioso e não se trata mais do luxo da ostentação, mas da autenticidade", disse Camilla Barretto, CEO da BLTA.

"Temos que ser um Brasil melhor, com as características que nos tornam diferentes do resto do mundo. Nosso calor humano é o diferencial", afirmou Roberto Klabin, presidente do conselho da entidade.

O que os números escondem

Por trás da leitura de "estabilidade" da BLTA está um setor que faturou quase o mesmo vendendo diárias mais baratas para mais gente. A receita cresceu só 0,8%, a ocupação ficou parada em 50% e a diária média encolheu quase 5%.

A satisfação dos hóspedes, ao menos, seguiu alta. Foram 93,2% de notas iguais ou superiores a 8,5 para os meios de hospedagem associados.

Do lado da sustentabilidade, 35,48% dos meios de hospedagem e 28,57% dos operadores já têm certificação ambiental ou estão em processo. A meta da BLTA é chegar a 100% dos associados certificados até 2028.

O setor de viagens em alta

O dado do turismo de luxo chega na mesma semana em que outro segmento também bateu recorde. O turismo de negócios movimentou R$ 8,4 bilhões no Brasil até julho. Já a temporada de cruzeiros 2026/2027 cresce 24% depois de dois anos de retração no setor.

Um guia lançado em julho já apontava destinos brasileiros promissores para investidores do setor turístico, na mesma linha do crescimento visto agora em diferentes nichos de viagem.