A Alibaba apresentou um novo chip de inteligência artificial e planeja treinar um modelo com 5 trilhões a 10 trilhões de parâmetros, segundo a Reuters. O anúncio reforça a tentativa da empresa chinesa de controlar hardware, nuvem e modelos no mesmo pacote de IA.

De acordo com a Reuters, o CEO Eddie Wu detalhou nesta terça-feira (22) a nova ofensiva. A companhia também apresentou o Zhenwu V900, descrito pela Alibaba como o chip de IA mais poderoso da China, com três vezes o desempenho do antecessor.

A disputa não é só por um modelo maior; é por quem vende a infraestrutura em que a IA vai rodar. O Valor informou que a estratégia da Alibaba combina software e hardware para sustentar ambições em inteligência artificial.

O movimento vem depois de uma sequência de anúncios no mesmo sentido. Em maio, a própria Alibaba havia divulgado o Qwen 3.7-Max, o chip Zhenwu M890, o servidor Panjiu AL128 e uma pilha de nuvem redesenhada para agentes de IA.

Naquele anúncio, a empresa dizia que o Zhenwu M890 entregava três vezes o desempenho do Zhenwu 810E, com 144 GB de memória e 800 GB/s de largura de banda entre chips.

A T-Head, subsidiária de chips, já havia enviado mais de 560 mil unidades da linha Zhenwu.

O balanço mais recente mostra por que a corrida importa. Em documento enviado à SEC, a Alibaba informou que a receita externa da nuvem cresceu 45% no trimestre encerrado em 30 de junho.

A receita de produtos ligados a IA avançou em ritmo de três dígitos pelo 12º trimestre seguido.

O mesmo documento aponta que AI Cloud and Compute Services faturou RMB 48,437 bilhões no trimestre, o equivalente a US$ 7,139 bilhões. Produtos ligados a IA somaram RMB 12,376 bilhões, ou US$ 1,824 bilhão.

A Omdia, citada pela Alibaba no comunicado financeiro, colocou a Alibaba Cloud na liderança do mercado chinês de nuvem de IA, com 38,1% de participação.

Esse dado ajuda a explicar por que o chip próprio é tratado como peça de margem e escala, não só como vitrine tecnológica.

Para o Brasil, o elo é a infraestrutura. A TV Sim mostrou que a Alibaba Cloud abriu dois data centers no Brasil e tenta disputar empresas que já compram nuvem de gigantes globais.

A briga também conversa com o custo local de energia e investimento. O país já discute quanto vale um data center de IA no Brasil, e o Congresso aprovou incentivo que isenta data centers de impostos por cinco anos.

O que muda para empresas no Brasil?

O que muda para empresas no Brasil é a possibilidade de contratar IA em nuvem de um fornecedor que combina modelo, chip e data center. Isso pode aumentar competição, mas não elimina dependência de energia, conectividade e regras locais para instalação de infraestrutura.

O efeito não é imediato para o usuário comum. A disputa aparece primeiro em preço, latência e disponibilidade de serviços para empresas que treinam, ajustam ou rodam modelos de IA em larga escala.

O que acontece agora

O que acontece agora é a tentativa da Alibaba de transformar anúncios técnicos em oferta comercial. A companhia já tem nuvem, modelos Qwen e chips próprios; o teste será provar desempenho e custo contra Nvidia, Huawei, Tencent e provedores ocidentais.