A doação de medula óssea volta ao centro da campanha nacional nesta terça-feira (22), Dia Mundial do Doador de Medula Óssea. O cadastro aceita voluntários de 18 a 35 anos, coleta 5 mL de sangue e mantém os dados no Redome até os 60 anos.

Segundo o Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome), o país tem mais de 6,1 milhões de doadores cadastrados. O banco é o terceiro maior do mundo, atrás de Estados Unidos e Alemanha, e centraliza dados usados por médicos.

A medula óssea é o tecido que produz glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas. Quando ela adoece, como ocorre em leucemias, linfomas e anemias graves, o transplante pode substituir células defeituosas por células-tronco saudáveis.

O procedimento pode usar células do próprio paciente, no transplante autólogo, ou de outra pessoa, no transplante alogênico. Este segundo caminho costuma aparecer nos casos mais graves, quando a busca por doador passa a ser decisiva para o tratamento.

Quem pode doar medula óssea?

Pode doar medula óssea quem tem de 18 a 35 anos, está em bom estado geral de saúde e não apresenta doença impeditiva para cadastro ou doação. O voluntário permanece no Redome até completar 60 anos, desde que mantenha telefone e endereço atualizados.

O cadastro é feito em hemocentros e hemonúcleos habilitados. O voluntário apresenta documento com foto, preenche a ficha, assina o termo de consentimento e retira 5 mL de sangue para o exame de histocompatibilidade, conhecido como HLA.

Manter os dados atualizados é parte do serviço, porque a chamada para novos exames depende de contato rápido quando surge um paciente compatível. A mesma lógica aparece em outras frentes de transplante, nas quais a autorização familiar ainda barra doações no Brasil.

Como a compatibilidade é encontrada?

A compatibilidade é encontrada primeiro entre parentes de primeiro grau, porque irmãos têm cerca de 25% de chance de ter perfil genético compatível. Quando não há familiar compatível, o Redome cruza os dados do paciente com os de voluntários cadastrados.

Segundo a fonte do registro, a chance de encontrar alguém compatível pode ser de 1 em 100 mil pessoas. A escala ajuda a explicar por que o tamanho e a diversidade do banco brasileiro importam para pacientes no país e no exterior.

Em texto sobre o Dia Mundial do Doador, o Redome informou que já realizou a doação de mais de 6.000 produtos celulares para transplante. A rede atende pacientes no Brasil e em outros países.

Esse alcance diferencia a medula de uma campanha restrita a uma cidade. O tamanho do cadastro e a diversidade genética brasileira aumentam a chance de encontrar pares compatíveis.

Este prêmio é um símbolo da importância do REDOME não só para o Brasil, mas também para toda a comunidade internacional, e representa a consolidação do REDOME e as conquistas deste programa do SUS.

Patrícia Freire, coordenadora-geral do Sistema Nacional de Transplantes, deu a declaração em material oficial do registro.

O que acontece depois do cadastro?

Depois do cadastro, os dados do voluntário ficam em cruzamento contínuo com os de pacientes que precisam de transplante. Se houver possível compatibilidade, o doador é chamado para novos exames antes de qualquer coleta de células-tronco.

O tema se conecta a outras etapas do atendimento oncológico, como a compra centralizada de remédios contra câncer no SUS. Também integra o esforço mais amplo de doação no país, que inclui casos como o doador mais jovem registrado em Goiás.