O brasileiro Denner Lopes, de 25 anos e natural de São Paulo, descreve os riscos reais de lutar na guerra da Ucrânia após dez meses na linha de frente ao lado das forças ucranianas. Ele avisa que a morte pode chegar antes do primeiro salário.

"Nunca foi pelo dinheiro. Eu sabia que iria receber algo por isso, mas provavelmente iria morrer antes mesmo de ver esse dinheiro", disse Lopes ao Metrópoles. "Eu fui uma exceção entre muitos brasileiros que infelizmente morreram na guerra."

Lopes deixou o Brasil no fim de 2025 com outros 14 brasileiros para integrar um batalhão de assalto. Dois desistiram antes mesmo de chegar ao território ucraniano.

O relato chega dias depois de o Itamaraty atualizar para 40 o número de brasileiros mortos na guerra, com outros 108 desaparecidos em combate. Do total de mortos, 38 lutavam pelas forças ucranianas e dois pela Rússia.

Dos desaparecidos, 98 estavam vinculados à Ucrânia e dez à Rússia.

O número de desaparecidos saltou de 5 casos em 2024 para 67 só em 2026, reflexo do aumento de voluntários no conflito. A remuneração varia entre US$ 550 e US$ 4,8 mil, cerca de R$ 2,7 mil a R$ 24 mil.

A Legião Internacional de Defesa Territorial foi criada pela Ucrânia em fevereiro de 2022 para reforçar as tropas com voluntários estrangeiros. Ela foi desmobilizada no fim de 2025, e seus combatentes passaram a integrar as Forças Armadas ucranianas.

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O recrutamento de estrangeiros continua, e a Rússia também passou a buscar voluntários pelo mesmo caminho.

Cerca de cinco meses depois de ingressar no conflito, Lopes pediu transferência para uma unidade de drones, pilar das operações ucranianas na guerra. Na primeira missão como operador, ele foi ferido na perna por estilhaços de um detonador.

Hoje ele atua na região de Donbass, ocupada pela Rússia desde 2014.

O conflito segue sem sinal de trégua efetiva. Segundo Zelensky, em entrevista ao Financial Times, Kiev suspendeu por três dias os ataques a instalações de energia russas a pedido dos Estados Unidos, mas os retomou porque a Rússia seguia atacando a infraestrutura energética ucraniana.

Ele também afeta diretamente o Brasil, que é hoje o 2º maior comprador de diesel russo, em acordo que driblou sanções dos Estados Unidos.

O que acontece agora

O Itamaraty segue atualizando mensalmente a contagem de brasileiros mortos e desaparecidos na guerra, com base em registros consulares e relatos de familiares. O recrutamento de voluntários estrangeiros pela Ucrânia e pela Rússia continua ativo.