O Grupo Pão de Açúcar (GPA) registrou prejuízo líquido consolidado de R$ 731 milhões no 3º trimestre de 2026, segundo balanço divulgado na quarta-feira (4 de novembro). Há um ano, no mesmo período, a rede teve lucro de R$ 134 milhões.

O prejuízo veio principalmente das operações encerradas, como os hipermercados Extra e os postos de combustível, que ficaram negativas em R$ 511 milhões. A receita líquida recuou 6,5%, de R$ 4,9 bilhões para R$ 4,6 bilhões.

A foto é essa, mas o filme é outro. Nós já estamos começando a colher frutos do que nos propomos a fazer em termos de ganho de eficiência.

A fala é do CEO Alexandre Santoro. Boa parte do resultado negativo veio de uma provisão de R$ 467 milhões relacionada à arbitragem com a Casas Bahia, dentro das operações descontinuadas.

O Plano de Eficiência por trás da melhora operacional

Apesar do prejuízo, o GPA avançou no plano aprovado na recuperação extrajudicial homologada em outubro. O Ebitda ajustado cresceu 16,9% ano a ano, para R$ 482 milhões, com ganho de margem bruta de 27,6% para 30,7%.

O "Plano de Eficiência" já capturou R$ 365 milhões em redução de despesas neste ano, 88% da meta anual. As economias vieram de cortes de pessoal (cerca de 20% do quadro corporativo), renegociação de contratos e ganhos em logística.

"O nosso grande desafio é voltar a crescer a receita", disse Santoro à Broadcast. Segundo ele, a companhia ainda tem espaço para ganhar eficiência. Mas precisa recuperar participação de mercado.

O que explica a comparação com 2025

A comparação com 2025 é afetada por um crédito tributário extraordinário de R$ 418 milhões reconhecido naquele ano. Sem esse efeito, o prejuízo das operações continuadas deste trimestre teria recuado 20,3% na comparação anual.

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A varejista, que é a dona da rede Pão de Açúcar, soma R$ 12,7 bilhões em vendas líquidas no acumulado do ano, ante R$ 14 bilhões no mesmo período de 2025.

O que acontece agora

Em nota, o GPA atribuiu o desempenho comercial a um "ambiente de consumo desafiador" e à pressão sobre o poder de compra das famílias, em meio ao aumento de pedidos de recuperação extrajudicial no Brasil.

A empresa segue com dívidas de mais de R$ 4,3 bilhões em renegociação.