A fabricante chinesa XPeng inaugurou nesta terça-feira (8) sua primeira fábrica dedicada a robôs humanoides, em Cantão, com 80% da linha de montagem automatizada. O robô Iron, chamado pela empresa de primeiro humanoide de uso geral do mundo, saiu andando sozinho da linha, e a produção em massa deve começar ainda em 2026.

O Iron tem 76 graus de liberdade no corpo e 21 em cada mão. Três chips de inteligência artificial batizados de Turing, desenvolvidos pela própria XPeng, dão a ele até 2.250 TOPS de capacidade de processamento.

Uma estrutura em lattice flexível e totalmente fechada funciona como pele e como sistema de segurança. O robô executa o modelo de IA física diretamente embarcado, sem controle remoto.

A corrida bilionária

A XPeng captou US$ 900 milhões em agosto, com avaliação de US$ 6,3 bilhões, em rodada liderada pela gestora chinesa IDG Capital. Tencent e Alibaba estão entre os investidores. Para o fundador e CEO da XPeng, He Xiaopeng, a proposta do Iron é clara.

Queremos que eles possam desempenhar diversas funções, especialmente aquelas que as pessoas não querem realizar.

O aporte acompanha a corrida global por infraestrutura de IA, que já rendeu à Nvidia um lucro trimestral de US$ 59,7 bilhões, alta de 126% puxada pela demanda por chips.

O bloqueio dos EUA

O avanço chinês esbarra numa barreira nova. Em 28 de julho, o governo Trump proibiu, via FCC, a importação de robôs humanoides e quadrúpedes fabricados na China, citando risco à segurança nacional.

A regra veta licença de importação para qualquer dispositivo autônomo acima de 2 kg com sensores, software e conexão em rede. A medida também atinge inversores de energia conectados fabricados por empresas chinesas.

A fábrica que a XPeng acaba de ligar mira o mundo, mas o maior mercado de tecnologia ficou fora do mapa por decisão do próprio governo americano.

Assine o Resumo do dia e receba de segunda a sábado, no seu e-mail, as notícias que você não pode perder.

Sem spam — você pode cancelar quando quiser.

O que acontece agora

O avanço de robôs que agem sem operação remota reacende debates sobre autonomia de máquinas, tema que já rendeu discussão sobre por que um drone guiado só por IA já pode matar sem ordem humana.

No Brasil, a corrida por infraestrutura de IA também avançou. O Senado isentou data centers de impostos por cinco anos, abrindo mão de R$ 5,2 bilhões em arrecadação.

A meta da XPeng é ultrapassar mil robôs por mês até o fim de 2026 e chegar a 1 milhão de unidades por ano até 2030, com vendas na China e em outros mercados a partir de 2027.