O surto de Ebola na República Democrática do Congo já deixou mais de 2.500 mortos e se tornou o mais letal da história do país, segundo alerta da ONU nesta semana. O número de infecções dobra a cada semana nas áreas mais atingidas, numa área maior que a França inteira.

A escalada que a ONU chama de fora de controle

O coordenador da ONU para resposta à doença, Julien Harneis, alertou na sexta-feira (21) que metade das mortes ocorreu nos últimos 20 dias. É o sinal de que a epidemia ganhou força nas últimas semanas.

É o 17º surto de Ebola da história do Congo. Já é também o maior em número de casos, superando o pior surto anterior, registrado entre 2018 e 2020.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) foi taxativa. A epidemia está longe de ser controlada, e o risco à saúde pública no Congo é classificado como muito alto.

A cepa em circulação é a Bundibugyo, para a qual não há vacina nem tratamento aprovados.

A progressão preocupa porque é rápida. Em julho, quando o diretor da OMS esteve no Rio de Janeiro e chamou o risco global de baixo, o surto somava 1.400 mortes.

Um mês depois, já era o 2º mais mortal da história do país. Hoje, é o primeiro.

O que o Brasil já fez

O país entrou em alerta desde 16 de maio, quando a OMS declarou o surto uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional. Desde então, a Anvisa mantém vigilância em portos, aeroportos e fronteiras para eventos de saúde ligados a viajantes.

Dois casos suspeitos já foram investigados e descartados neste ano. Um paciente no Rio de Janeiro, vindo de Uganda, teve o quadro confirmado como malária, doença que o Brasil hoje registra no menor nível em quase 50 anos.

Outro paciente, em São Paulo, teve diagnóstico de doença meningocócica. Nenhum dos dois era Ebola.

Em nota técnica de 1º de junho, o Ministério da Saúde reforçou protocolos de vigilância, preparação e resposta com estados e municípios.

A avaliação oficial de risco baixo para o Brasil e a América do Sul foi feita naquele momento, antes de o surto dobrar de tamanho nas semanas seguintes.

O ponto em aberto

O Ministério da Saúde não atualizou publicamente sua avaliação de risco desde que a ONU classificou o ritmo do surto como exponencial.

A dúvida que fica é até quando a avaliação de baixo risco resiste ao mesmo ritmo que já fez o surto ultrapassar o pior da história do Congo.