A Atlanteo, startup germano-brasileira de energia limpa, negocia com o governo alemão um investimento de milhões de euros para construir sua primeira usina de metanol verde no Espírito Santo, segundo o CEO Andreas Eisfelder. A construção começa em 2027, com operação plena prevista para 2030.

Eisfelder não revelou o valor do aporte. Segundo ele, os ministérios alemães de Assuntos Econômicos e Energia e de Pesquisa, Tecnologia e Espaço já deram a aprovação preliminar dos recursos.

O executivo passou mais de duas décadas na Siemens Energy antes de se mudar da Alemanha para o Brasil em 2020. Fundou a Atlanteo em 2023, com foco em atender a demanda europeia por energia limpa.

Como a usina vai produzir o combustível

A produção combina hidrogênio verde com CO2 biogênico extraído de resíduos agrícolas da região, sem etapa de queima. De quatro a cinco pequenas hidrelétricas a fio d'água, sem reservatório, vão alimentar os eletrolisadores que geram o hidrogênio.

O hidrogênio reage em seguida com o CO2, processado em biodigestores, e forma o metanol. Segundo Eisfelder, o projeto evita um dos maiores gargalos do setor. O hidrogênio não precisa ser transportado, porque é consumido assim que é gerado, no mesmo local.

“É uma molécula muito versátil, que vai ser utilizada na descarbonização do transporte marítimo, da aviação, como matéria-prima para o combustível sustentável, e do setor químico”, diz Eisfelder.

A Atlanteo não é a única aposta do país nesse mercado. A Eletrobras e a Suzano avaliam, separadamente, produzir e-metanol a partir de hidrogênio verde no Brasil.

O governo brasileiro estuda incentivos fiscais para impulsionar o setor de hidrogênio verde, matéria-prima do processo da Atlanteo.

Por que a Europa é a compradora natural

A Atlanteo mira a exportação porque a União Europeia vai exigir, a partir de 2030, que ao menos 6% do combustível de aviação usado em seus aeroportos seja sustentável. É o mesmo ano em que a empresa projeta iniciar as vendas ao continente.

“O metanol verde é um produto altamente refinado, extremamente denso em capital e tecnologia”, afirma Eisfelder. Antes de abastecer aviões, o composto passa por uma etapa extra de processamento, hoje feita por uma empresa no porto de Roterdã, o principal da Europa.

Navios preparados para receber o metanol podem ser abastecidos direto, sem essa etapa intermediária.

O que acontece agora

A construção da usina está prevista para começar em 2027, e a operação plena, para 2030, quando a Atlanteo pretende iniciar as exportações para a Europa. O valor exato do aporte alemão ainda não foi divulgado.