O Paraná confirmou o 13º tornado de 2026 na tarde desta sexta-feira (11), em área rural de Goioerê, o terceiro fenômeno do tipo em três dias. A sequência de tempestades que começou na quarta-feira (9) já matou três pessoas soterradas por um deslizamento em Ponta Grossa e afetou mais de 7,5 mil moradores em 45 municípios do estado.

O primeiro tornado atingiu Francisco Alves entre o fim da tarde de quarta e a madrugada de quinta-feira (10). Horas depois, por volta da 0h40, um segundo fenômeno foi confirmado em Espigão Alto do Iguaçu.

Foram os dois tornados que abriram a sequência e já haviam danificado escolas e lavouras. O Simepar atribui os fenômenos a uma frente fria e a um ciclone extratropical sobre o Rio Grande do Sul, que geraram as supercélulas por trás dos tornados.

O Inmet havia decretado alerta vermelho para 265 cidades na quinta, com risco de granizo e ventos acima de 100 km/h. A previsão indica melhora a partir da manhã de domingo (13), embora rajadas possam atingir o norte e o leste do estado.

O deslizamento que matou três pessoas em Ponta Grossa

Um deslizamento de terra soterrou uma casa na Rua República do Panamá, no bairro Ronda, na manhã de quinta-feira (10). Um casal e o filho pequeno da família morreram enquanto dormiam na mesma cama, atingidos por terra e escombros, segundo o Corpo de Bombeiros.

As equipes foram acionadas por volta das 8h40 e classificaram a ocorrência como de alta complexidade, pelo risco de novos deslizamentos. Nenhum tornado provocou morte direta. Foi a chuva acumulada, não o vento em rotação, que matou a família em Ponta Grossa.

A mesma frente fria que atinge o Paraná também provocou temporal em São Paulo, onde a Marginal Tietê ficou bloqueada e dois homens seguem desaparecidos em Jandira.

O Paraná integra uma faixa sul-americana de instabilidade que inclui Santa Catarina, o Rio Grande do Sul, o Paraguai, a Argentina, o Uruguai e a Bolívia. A região é considerada o segundo maior corredor de tornados do mundo, atrás só das planícies centrais dos EUA.

Em novembro de 2025, um tornado com ventos de 250 km/h destruiu 90% de Rio Bonito do Iguaçu, matou seis pessoas e levou o governador Ratinho Junior a decretar estado de calamidade pública. Foi o episódio mais grave do fenômeno no Paraná nos últimos anos.

Os municípios mais atingidos pelas tempestades

Além de Ponta Grossa, Espigão Alto do Iguaçu, Francisco Alves e Goioerê, epicentro dos tornados, cidades paranaenses somaram estragos e gente desalojada em quatro dias de temporal, segundo balanço da Defesa Civil e da Copel.

  • União da Vitória: 125 famílias desalojadas com o rio Iguaçu passando dos 6 metros
  • Pinhão: 42 residências danificadas por granizo, 123 pessoas afetadas
  • Curitiba: chuva entre 41,2 mm e 47,8 mm conforme a região, com pontos de alagamento na capital
  • Estado inteiro: 54.700 unidades consumidoras sem energia na manhã de sábado (12), 16.100 delas na região Centro-Sul, segundo a Copel

O que acontece agora

A Copel segue trabalhando para restabelecer energia nas áreas mais atingidas, enquanto a Defesa Civil apura os danos município a município. O Simepar prevê melhora gradual a partir da manhã deste domingo (13), embora chuva forte possa atingir o norte e o leste do estado.