A Polícia Federal encontrou uma lista com nomes e números na churrasqueira da casa do senador Ciro Nogueira (PP-PI), em Brasília, durante busca cumprida em maio. O documento, intitulado "Câmara", foi detalhado em relatório juntado aos autos neste sábado (12) e cita nomes que a PF associa a deputados como Arthur Lira e Hugo Motta.
A lista traz nove nomes seguidos de números: "Arthur, 40", "Hugo, 10", "Elmar, 10", "Luizinho, 10", "Adolfo, 10", "Isnaldo, 10", "Diego, 5", "Altineu, 5" e "Netinho, 5". Segundo a PF, os números "provavelmente" indicam valores, mas isso "carece de esclarecimento".
Quem a PF associa a cada nome
A PF associa os nomes a Arthur Lira (PP-AL), Hugo Motta (Republicanos-PB, atual presidente da Câmara), Elmar Nascimento (União Brasil-BA), Doutor Luizinho (PP-RJ), Adolfo Viana (PSDB-BA) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL), citados no relatório da Operação Compliance Zero.
A operação investiga suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro, incluindo a suspeita de que o banco fabricou carteiras de crédito insubsistentes e as vendeu a outra instituição financeira.
A PF aponta Ciro Nogueira como destinatário central de vantagens indevidas do banco. Ele está proibido de manter contato com outros investigados da operação.
Quando os agentes chegaram à residência, uma funcionária disse ter sido orientada por Ciro Nogueira a queimar os papéis encontrados na churrasqueira, por serem "antigos ou sem serventia". A queima não chegou a acontecer por falta de tempo.
O que os citados dizem
Procurados, os citados na lista responderam de formas diferentes. A assessoria de Arthur Lira informou que ele "desconhece as anotações mencionadas e não pode responder por esse registro". Elmar Nascimento chamou o papel de "apócrifo" e repudiou "completamente" a associação de seu nome a ele.
Nascimento também afirmou nunca ter "feito política" com Ciro Nogueira. Hugo Motta não quis se manifestar, e Doutor Luizinho, Adolfo Viana e Isnaldo Bulhões não responderam.
Ciro Nogueira também não comentou o episódio. Seu irmão, Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, também citado no caso, usa tornozeleira eletrônica e entregou o passaporte.
O que acontece agora
O relatório sobre a lista segue anexado ao inquérito da Operação Compliance Zero, e corre em paralelo a outras frentes do mesmo caso. Nesta semana, Alexandre de Moraes acusou André Mendonça de manter 180 documentos do processo em sigilo.
Não há data marcada para nova decisão sobre a lista, e os citados podem se manifestar formalmente nos autos a qualquer momento.


























